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Arquiteto Oscar Niemeyer comemora aniversário com novos projetos no Pará, Rio e Paraná

Arquivo Geral

15/12/2011 7h07

Michel Toronaga
michel.toronaga@jornaldebrasilia.com.br

 

Um dos principais nomes, ao lado de Lucio Costa e Juscelino Kubitschek, da história da criação de Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer comemora hoje 104 anos. Uma vida que até hoje gera belos frutos arquitetônicos que podem ser vistos pela capital e em outras cidades do Brasil e do mundo. E, desde 1934, quando se formou arquiteto e engenheiro pela Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, ele tem desenvolvido novos projetos. “Ele vem para o escritório trabalhar todos os dias e fica até as 19h”, garante Vera Lúcia Niemeyer, mulher do arquiteto. Ela também vai diariamente para o local, no bairro de Copacabana – e garante que o marido acompanha de perto as obras.

 

E mesmo depois de prontas, Niemeyer preza pelas criações. “Tenho notícias de que as minhas obras principais em Brasília – em particular, o Palácio do Planalto e o Alvorada – têm sido bem cuidadas”, disse, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília. “Espero que não modifiquem o sistema de iluminação desses prédios,  desenvolvido, sob minha orientação e para o meu agrado, pelo meu amigo e colaborador Peter Gasper. Qualquer substituição poderá ser desastrosa”, adverte.

 

Longe da capital da República há três anos, o arquiteto cita que  falta ser construído o prédio do Arquivo Público para que a Esplanada fique completa. E por falar em política, Niemeyer não esconde que acompanha as novidades do poder. “Me interesso em conhecer o que acontece em nosso tormentoso cenário político”, alfineta.
A informação é confirmada pelo arquiteto Jair Valera, que trabalha com Niemeyer há 30 anos. “Uma pessoa que aos 104 anos permanece trabalhando, projetando, criando formas, escrevendo, desenhando, lançando revistas e livros, acompanhando o futebol, a política, os rumos do País e do mundo, é um fenômeno”, elogia. “Canso de me surpreender com a sua lucidez e capacidade criativa. Até hoje me emociono a cada novo projeto”, conta.

 

 

Responsável por obras que viram cartão-postal, Niemeyer não se cansa. O desejo de criar e exercitar a criatividade faz com que cada vez construções surjam. E ele tem planos do que falta realizar. “Talvez um moderníssimo estádio de futebol. É preciso esclarecer que já realizei desenhos básicos desse projeto e deverei apurar a ideia até a definição do projeto básico”, adianta. “Cabe lembrar uma capelinha – projetada no mar – que já concebi (tenho alguns croquis) para o Caminho Niemeyer, em Niterói”, antecipa.

 

O mestre

 

Cláudio José, professor do Departamento de Projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, teve a chance de trabalhar com Niemeyer em empreitadas internacionais. “Trabalhei na Argélia, entre 1974 e 1986, como seu colaborador e assistente nas obras de Argel, capital do país e, sobretudo, na Université des Sciences et de La Technologie d’Alger”, lembra.

Na época, o País vivia nos anos de chumbo, por isso o arquiteto foi impedido de trabalhar no Brasil pelo ponto de vista político – ele ingressou no Partido Comunista em 1945. No autoexílio, viajou para França, abriu escritório nos Champs Elysées, no anos 1970 e fez obras pela Europa, como o prédio da Editora Mondadori, na Itália, e a sede do Partido Comunista Francês.

 

“Desenvolvíamos seus projetos,  partindo de esboços fascinantes, de próprio punho, à mão livre”, recorda Cláudio José, que se refere a Oscar como “mestre”. “O exercício técnico-arquitetural era a preservação  do traço original, perseguindo a perfeição das curvas livres, em concordância com as linhas retas”, diz. E por falar da simplicidade dos esboços, feitos à mão,  Niemeyer, uma vez disse: “De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir o nível superior de obra de arte”. Palavras de quem presenteou os brasilienses com a experiência de viver em um “museu aberto”, um Patrimônio Cultural da Humanidade.

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