
Suellem Mendes
suellem.mendes@jornaldebrasilia.com.br
Você sabe falar palavrão? Segundo o ator Alexandre Ribondi, tal feito é uma arte. Com essa máxima, o artista estreia hoje, às 21h, novo espetáculo em Brasília. A temporada de A Arte de Dizer Palavrão vai até 26 de fevereiro, no Espaço Cultural Brasília Shopping. “A ideia veio do dia a dia. Todos dizem palavrão, mas com uma atmosfera de cuidado. Quero mostrar que, com arte, podemos fazer isso em qualquer situação”, conta ele, que também é responsável pelo roteiro.
Exemplos não faltam das ocasiões em que se pode fazer uso de determinado vocabulário. “Quando você bate o dedo mindinho do pé no canto da cama, quando acontece alguma bobagem no trânsito ou quando o vizinho chega buzinando para alguém abrir a porta da garagem”, ensina. “Dá um alívio imenso. Em algumas situações alcançamos o Nirvana. Todo palavrão esconde uma coisa gostosa. Quanto mais cabeludo, melhor”, acredita.
Nos primeiros minutos do espetáculo, Ribondi se pergunta que tipo de pessoa vai assistir a uma peça sobre palavrões. “O fato é que todas as pessoas falam, mesmo que não fiquem confortáveis em fazer isso”, enfatiza.
Foram escalados para o espetáculo os dez palavrões preferidos do povo brasileiro. “Vi essa lista em uma enquete publicada na internet, mas também pergunto às pessoas da plateia qual é o palavrão favorito delas”, conta Alexandre.
O roteiro, no entanto, não fica apenas nisso. “Falo ainda sobre a origem dos palavrões. E as diferenças dos significados das palavras aqui e em Portugal também são abordadas. Ensino ao público como reagir ao ouvir palavras que para nós são imensos palavrões e lá, não”, completa.
Músicas
Outra coisa que Alexandre Ribondi faz, em cena, é cantar músicas que as crianças costumam trocar a letra por palavrões. “É uma coisa até ingênua e simpática. Também lembro de quando aprendemos essas palavras e as reações que elas provocam”, afirma o artista.
E para quem tem medo ou se sente incomodado ao pronunciar essas palavras tão mal vistas, Ribondi dá a dica. “O palavrão é uma palavra tão elegante quanto qualquer outra do nosso vocabulário”, defende. Será?