Camilla Sanches
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Sensualidade à flor da pele. Uma característica marcante da dança flamenca e da companhia espanhola Antonio Gades, que volta ao Brasil com o espetáculo Carmen. A trupe desembarca na capital da República para duas apresentações, nesta quarta e quinta, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto). Ambas no mesmo horário, às 21h.
Intérprete da protagonista do espetáculo por mais de 22 anos, a bailarina Stella Arauzo coordena, atualmente, a direção artística da montagem e da companhia. “Carmen estreou em 1983, em Paris (capital da França). É um espetáculo que busca a essência da história, além de mesclar ópera com flamenco e contar com a participação de todos os componentes em cena, atores-dançarinos, músicos, guitarristas”, decifra ela, em entrevista concedida por telefone ao Jornal de Brasília.
A diretora deixou os palcos em fevereiro do ano passado e passou a sapatilha para a bailarina Vanesa Vento. “A recepção do público brasileiro às nossas coreografias sempre é muito cálida”, observa Stella. Segundo ela, o Brasil é um país de grandes artistas. “Talvez aí esteja uma resposta à qualidade dos trabalhos que se fazem aqui e à boa receptividade aos bons trabalhos que aqui chegam”, considera a diretora.
Do cinema para o tablado
A versão teatral de Carmen foi concebida em paralelo à filmagem da obra homônima do diretor de cinema Carlos Saura, que virou sucesso de público e crítica, levando o fundador da companhia, Antonio Gades, a realizar o trabalho, na época, como bailarino e coreógrafo. “Carmem não é frívola nem uma devoradora de homens”, dizia ele. “Mas uma mulher honesta que quando ama diz que ama e que quando não ama diz que não ama. Ou seja: uma mulher livre”, assim definia Gades a respeito da personagem que dá nome à produção espanhola.
Segundo ele, a personagem tem um conceito de classe e nobreza, não tinha propriedade privada sobre seus sentimentos. “Tinha um conceito tal da liberdade, que preferiu morrer a perdê-la”, afirmou o coreógrafo em entrevistas à imprensa internacional à época da estreia. Para o bailarino, Carmen foi uma incompreendida, porque quando a obra foi escrita, em 1837, ela representava a verdadeira emancipação da mulher.
No roteiro, a personagem masculina de Dom José, vivida por Ángel Gil, é um fugitivo, um burguês que sai da sua classe e que não será fiel a ela. O galã tem aquele conceito arraigado da propriedade privada do amor. Entre os projetos da Companhia Antonio Gades, de acordo com a diretora Stella Arauzo, está a reestreia do balé Fuego, levado aos palcos mundiais pela primeira vez em 1989. A passagem pelo Brasil está nos planos.