Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Torcida

STJD tira três pontos do Brusque por caso de racismo contra Celsinho

A 5ª Comissão Disciplinar do STJD decidiu aplicar suspensão de 360 dias (quase um ano) ao conselheiro, com multa de R$ 30 mil

Por FolhaPress 24/09/2021 6h54
Foto: Esporte Clube/ Divulgação

João Gabriel
SÃO PAULO, SP

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu nesta sexta-feira (24) suspender um conselheiro do Brusque por quase um ano e penalizar o clube com perda de três pontos pelo caso de racismo contra o jogador Celsinho, do Londrina, em partida pela Série B do Campeonato Brasileiro.

O conselheiro em questão é Júlio Antônio Petermann, presidente afastado do Conselho Deliberativo do Brusque, que, durante o julgamento virtual, adimitiu ter dito “cachopa [coméia] de abelha”, em referência ao cabelo do jogador. Ele se desculpou. Na sessão, foram apresentados a denúncia com 17 páginas, vídeos da partida, a opinião de um perito que analisou os áudios dessas evidências e depoimentos –do acusado, do ofendido e de outros envolvidos no confronto.

Presidida por Otacílio Araújo Neto, a 5ª Comissão Disciplinar do STJD decidiu aplicar suspensão de 360 dias (quase um ano) ao conselheiro, com multa de R$ 30 mil. Já o Brusque foi punido com R$ 60 mil de multa e perda de 3 pontos na tabela da Série B.

Como cabe recurso, as penas não são definitivas. O processo disciplinar deve chegar ao Pleno, a última instância do STJD. O relator João Maffei entendeu que o caso se enquadra no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que versa sobre “ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

Também havia a acusação de que alguém, não identificado, havia gritado “macaco” para Celsinho durante o mesmo jogo. O entendimento foi que não há elementos para provar essa segunda ofensa. Os outros quatro membros da comissão seguiram o entendimento do relator.

Leia também: Racismo no futebol brasileiro segue com punição branda desde caso Grafite O caso ocorreu no final de agosto. Na partida entre Brusque e Londrina, Celsinho chamou a atenção da arbitragem para ofensas que recebia de pessoas que estavam na arquibancada.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na súmula, o juiz Fabio Augusto Sá Júnior relatou que um integrante do estafe do Brusque gritou para armador: “Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha”. Depois, o Brusque ainda divulgou uma nota diminuindo o caso e insinuando que o jogador queria se promover com o caso.

À Folha de S.Paulo Celsinho afirmou que essa foi a gota d’água. “O meu filho mais novo tem cinco anos, não entende, tem só que brincar e ser criança mesmo. Mas o meu mais velho e a minha esposa sentiram muito, principalmente com a nota do Brusque. Ele e a minha esposa começaram a chorar. Fizeram a gente chorar.”

Ele também afirmou que suas ações não se limitam ao âmbito desportivo. Avisou que também agirá nas esferas criminais e cíveis contra o Brusque e o conselheiro. Além do episódio do fim de semana, o jogador já sofreu com outras duas situações semelhantes nesta temporada, sempre com menções ao cabelo black power.

Dois profissionais da Rádio Bandeirantes de Goiânia e um locutor da Rádio Clube de Belém usaram falas racistas como “cabelo pesado”, “bandeira de feijão” e “negócio imundo” para se referir ao jogador. Eles pediram desculpas públicas e foram afastados pelas emissoras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE








Você pode gostar