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Presidente do COB critica interferência política em eleição do comitê

Apontado como favorito no início da corrida, ele viu sua reeleição correr riscos nos últimos dias após o opositor Rafael Westrupp receber apoio de políticos de carreira

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Em sua primeira entrevista após ser reconduzido ao cargo de presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Paulo Wanderley Teixeira não escondeu seu descontentamento com o que chamou de “interferência política” no processo eleitoral. Apontado como favorito no início da corrida, ele viu sua reeleição correr riscos nos últimos dias após o opositor Rafael Westrupp receber apoio de políticos de carreira, incluindo integrantes ou ex-integrantes de governos estaduais e federais.

Wanderley não citou nominalmente seus opositores no pleito, mas criticou duramente a participação de políticos tradicionais. “O esporte não está habituado com política, seja partidária, seja de campanha, inverdades, aí veio de governador. Isso não foi bom”, comentou. “A forma como foi feito não nos agradou de uma forma geral.”

O presidente reeleito foi além e citou “promessas” vindas de políticos, mas novamente sem citar nenhum nome. “A interferência de políticos, de ex-ministros, essa interferência não foi boa para o esporte. Chegaram mil promessas para diversos atores. Parece que ninguém aceitou, tanto é que estou aqui”, ironizou.

Ele foi enfático ainda ao dizer que a política partidária e a intromissão de agentes de governo não podem ser aceitas no COB. “O Comitê Olímpico do Brasil não é político. Precisamos da Câmara, do Congresso, precisamos dos parlamentares, mas não para virem ditar normas e dizer o que temos que fazer”, disse.

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“A hora que entrar neste estabelecimento uma ordem política carimbada acaba o movimento olímpico. Aliás, não acaba porque o movimento olímpico internacional não deixa. Está na carta olímpica. Não pode haver mão de governo dentro de qualquer comitê olímpico”, declarou.

Carol Solberg

Wanderley foi indagado sobre a denúncia contra a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg, que irá responder no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei por ter gritado “Fora Bolsonaro” ao final de uma entrevista à TV. O dirigente mais uma vez foi indireto, mas demonstrou apoio à jogadora.

“Eu tenho por prática na vida desde sempre que, quando eu me dispor a uma discussão, com perguntas, posições, eu posso ser contrário, mas vou morrer defendendo o direito de que cada um fale o que quiser. Essa é minha opinião básica. Todos têm o direito de falar e fazer a hora que quiserem e como quiserem. Posso não concordar, mas vou defender o direito da pessoa”, comentou.

Estadão Conteúdo

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