Xuxa respondeu com ironia às críticas ao figurino usado na estreia da turnê O Último Voo da Nave, em São Paulo. Depois de Mônica Salgado classificar o body ultracavado da apresentadora como “erotização desmedida, envelopada como empoderamento”, a loira agradeceu a repercussão e prometeu levar o “último voo da virilha” para mais cidades.
Acordei, calcei meus chinelos de couro, lavei o rosto e abri as mensagens ainda de robe azul-marinho. E, minha filha, antes mesmo de o dia clarear direito no Cosme Velho, já tinha uma mulher tentando transformar o show da Xuxa em audiência pública de virilha.

Mônica até começou elogiando: chamou Xuxa de dona de “um corpo maravilhoso” e de um “legado notável”. Depois, porém, emendou uma tese inteira sobre o figurino, questionando se mostrar o corpo seria liberdade ou auto-objetificação. É curioso: a crítica diz defender autonomia feminina, mas parece bastante empenhada em decidir qual short uma mulher de 63 anos pode ou não usar no próprio palco.
Xuxa não entrou na ladainha. “Tô até agora lendo, ouvindo e vendo tanto carinho de vocês pra mim. Nada é melhor ou maior que amor de verdade”, escreveu. E completou: “Quem não gostou continue divulgando, por favor, com suas ‘críticas’, pois quem sabe com isso vou viajar pra mais lugares e mostrar o último voo da virilha (ops)… da nave.”
Parei na porta do quarto olhando para o celular porque a resposta é uma obra de engenharia: não pediu desculpa, não chamou ninguém para briga e ainda transformou a patrulha moral em assessoria de imprensa gratuita. Enquanto uma discutia bainha de body, a outra vendia a próxima parada da turnê.
O show reúne sucessos, Paquitas, nostalgia e a nave que marcou gerações inteiras. Depois de São Paulo, a turnê passará por Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde se encerra no Maracanã, em dezembro. A crítica ao look, portanto, só ajudou a colocar mais holofote numa artista que já estava fazendo história sem pedir licença.

Eu ainda nem tinha decidido a roupa da manhã e já estava com uma certeza: Xuxa não precisa de autorização para usar o corpo que tem, cantar o repertório que construiu e pilotar a nave do jeito que quiser. Quem quiser fiscalizar, que compre ingresso e leve binóculo.