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Por que o fim da Superliga Europeia é um alívio para o futebol?

Durou poucos dias, mas os rumores de uma Superliga envolvendo os principais times da Europa abalaram as estruturas do futebol mundial. Sim, mundial. Porque apesar de afetar diretamente apenas um continente, estamos falando do lugar onde o futebol nasceu e onde se jogam as maiores ligas do mundo.

Esse abalo, no entanto, não foi positivo na grande maioria dos casos. Não faltaram críticas de todas as partes, incluindo da própria FIFA, da UEFA e das ligas nacionais, quando ficaram sabendo dos planos desses times. Até mesmo os torcedores manifestaram a insatisfação, ficando claro que a ideia de criar uma Superliga Europeia era inviável. Tão inviável que acabou por sem suspensa. 

O futebol previsível

O cenário parece ser perfeito, todas as principais equipes de futebol do mundo disputando um torneio só delas, onde os grandes clássicos estão garantidos todos os anos. É garantia também de bons jogos sempre, não é mesmo? Mas o que os criadores da Superliga esqueceram é que isso acabaria matando um dos fatores que nos faz amar o futebol: a imprevisibilidade.

Ora, já temos um campeonato que reúne as melhores equipes do mundo, ele se chama Champions League. Mas lá, nem sempre um duelo entre os dois melhores acontece, porque o futebol é assim, basta um dia ruim de um bom time e outro menor pode aplicar uma virada histórica. Ou então uma temporada em que um time pequeno, mas bem organizado, acaba surpreendendo a todos. Isso acontece. E essa é a graça do futebol, no fim das contas.

Qual seria a graça de ir a um estádio sabendo (ou pelo menos com uma boa ideia) do resultado final? Qual seria a graça de fazer apostas esportivas em um campeonato previsível como a Superliga? Onde fica a emoção que temos na Champions League? A imprevisibilidade? Pois é, mas esse é apenas um dos problemas que a ideia da Superliga Europeia apresenta.

 O problema da elitização

Além da questão da previsibilidade, que tiraria muito da mágica do futebol, outro problema ainda maior poderia surgir com a criação de uma nova liga. Acontece que os times menores acabariam por perder dinheiro de diversas maneiras. Não iriam ter a chance de disputar com os maiores e, consequentemente, acabariam por perder em bilheteria, em direitos de transmissão na televisão e possivelmente em premiações de campeonatos que provavelmente seriam menores sem os grandes times.

Isso acarretaria em uma espécie de elitização do futebol, onde os times da Superliga, que já são os mais ricos, conseguiriam ainda mais dinheiro, enquanto os menores ficariam com cada vez menos chances de faturar. A diferença entre esses dois grupos já é grande e a tendência seria criar um verdadeiro abismo.

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Em um cenário como esse, seria inviável vermos o que aconteceu com o Leicester City na temporada de 2015/2016, onde o time encantou e surpreendeu o mundo com o imprevisível título da Premier League. Foi descrito que o título foi um dos maiores feitos do futebol de todos os tempos e negar isso é difícil, uma vez que já citamos a grande diferença entre os grandes e os pequenos na Europa.

A conclusão que se pode chegar é que a Superliga Europeia nasceu condenada ao fracasso. E ainda bem. A opinião das entidades do futebol é importante e deve sempre ser levada em conta, mas quando as próprias torcidas levantam a voz, é necessário ouvir. Afinal, são eles que movem o futebol, mais do que qualquer jogador, qualquer dirigente, presidente ou dono de clube. E se o futebol é feito para os torcedores, se são eles que empurram o time quando há uma fase ruim, a suspensão da Superliga é um alívio. Para eles e para o futebol de modo geral.






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