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Paraguai investiga participação de Ronaldinho em organização criminosa e lavagem

A principal suspeita do Ministério Público é de que ambos possam fazer parte de um amplo esquema de adulteração de documentos

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Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis, estão sendo investigados neste momento por diversos órgãos no Paraguai. O objetivo de todos é comum: descobrir por qual razão os dois obtiveram passaportes falsos. A principal suspeita do Ministério Público é de que ambos possam fazer parte de um amplo esquema de adulteração de documentos com a finalidade de conseguir negócios ilegais no país. Há, inclusive, a desconfiança de que a trama envolveria lavagem de dinheiro.

O ponto de partida das investigações passa pelo Ministério do Interior do Paraguai, responsável pela Direção Geral de Imigração, setor que cuida da entrada e saída de estrangeiros do país. Por isso, uma equipe da Secretaria Nacional Anticorrupção foi instalada dentro do ministério. A previsão é de que a investigação na pasta durará ao menos 60 dias.

Diante da repercussão internacional do caso, a promessa das autoridades paraguaias é “colocar a casa em ordem” e tratar a prisão de Ronaldinho como uma questão de segurança nacional. “Hoje, nossa prioridade é colocar a casa em ordem e solucionar este caso envolvendo Ronaldinho Gaúcho”, disse a nova diretora-geral de Imigração, María de los Ángeles Arriola. “Não devemos apenas controlar a entrada e saída, mas somos o primeiro filtro de segurança do Estado.”

Dois funcionários do departamento já foram indiciados pelo Ministério Público por supostamente facilitarem a entrada de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão no país com passaportes falsos na semana passada. A dupla e mais três pessoas foram identificadas por câmeras de segurança do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na cidade de Luque. Eles teriam recebido os passaportes dos brasileiros e não alertaram as autoridades de que os documentos eram falsos. Os funcionários, inclusive, até carimbaram os passaportes, permitindo a entrada dos brasileiros. Por isso, foram denunciados por produção de documentos públicos de conteúdo falso e associação criminosa.

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Considerada peça-chave do esquema, a empresária Dalia Angélica López Troche teve a sua prisão decretada, mas está foragida. Ela foi a responsável por negociar a viagem de Ronaldinho e o irmão ao Paraguai e também teria cuidado da confecção dos passaportes falsos. Segundo o Ministério Público, ela integra uma organização criminosa estruturada para facilitar a preparação e o uso de documentos de identidade e passaportes falsos.

Outro elemento importante no caso é Wilmondes Souza Lira, empresário brasileiro amigo de Ronaldinho e seu irmão. Ele está preso no mesmo presídio que o ex-jogador. Ao lado da mulher, Paula Lira, eles apresentaram Ronaldinho e Assis à Dalia e estavam interessadas em abrir uma empresa no Paraguai. Os passaportes paraguaios os ajudariam na operação desse novo empreendimento.

O que os investigadores querem saber é qual seria a real atividade dessa empresa. Os celulares de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão foram apreendidos e a expectativa é de que a perícia do conteúdo dos aparelhos ajude a entender melhor a conexão entre os brasileiros e Dalia. A empresária, por exemplo, possui negócios nos ramos de comercialização de produtos eletrônicos, transporte, informática e móveis, que, segundo a Subsecretária de Estado e Tributação do Paraguai, teria ocultado ganhos de US$ 10 milhões (cerca de R$ 47 milhões) ao Fisco.

O juiz Gustavo Amarilla negou na terça-feira pedido de prisão domiciliar a Ronaldinho e seu irmão sob a justificativa de que se ambos saíssem da cadeia poderiam prejudicar as investigações. “Pode ser que eles estavam fazendo o simples uso dos passaportes, mas também há outras crimes que estão sendo investigados”, justificou Amarilla.

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Estadão Conteúdo




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