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Para Rayssa Leal, o conto de fadas no skate está apenas começando

Obviamente que a situação financeira dessa garota de Imperatriz, no Maranhão, é bem diferente de anos atrás

Foto: AFP

Os Jogos de Tóquio foram um conto de fadas para Rayssa Leal, medalha de prata no street skate com apenas 13 anos, se tornando a brasileira mais jovem da história a subir ao pódio na Olimpíada. Ela foi para o Japão como uma criança na delegação do Time Brasil e voltou como inspiração para milhares de pessoas de todas as idades.

“Mudou muita coisa na minha vida. Antes não gostava tanto de sair, agora gosto. As pessoas pedem fotos, um abraço, autógrafo. E as viagens estão bem mais constantes”, diz a menina ao Estadão. “Almejo poder inspirar mais garotas e outras pessoas a andarem mais de skate. Quero ver o sorriso no rosto delas, ter bons resultados nos campeonatos e continuar me divertindo”, continua.

Não só a vida dela mudou, como a de toda família foi transformada. Obviamente que a situação financeira dessa garota de Imperatriz, no Maranhão, é bem diferente de anos atrás, quando as dificuldades eram enormes. Agora ela é cobiçada por multinacionais e pode se dar ao luxo de escolher qual marca prefere estampar seu rosto de acordo com seu gosto pessoal.

Por trás desse prodígio do skate está Tatiana Braga, que vem gerenciando a imagem da atleta nos últimos anos. Para ela, o mais importante nesse processo é a garota se sentir à vontade com a situação. “A Rayssa não é atriz, não é influenciadora, não está acostumada com todos esses holofotes. Ela é uma atleta e tem 13 anos. Então quando sentem que tem uma exigência muito grande ou algo que vai pesar no dia a dia dela, ou tirar a essência dela como criança, os pais dela já seguram”, revela.

A mãe Lilian, que também é uma espécie de técnica, acompanha a Fadinha para todo lugar, seja eventos de patrocinadores ou competições. Quando podem, o pai e o irmão mais novo vão juntos. Na última semana todos vieram para São Paulo para levar a atleta para participar do congresso Liga Nescau Summit em um debate ao lado de Falcão, maior jogador da história do futsal.

“Quando a gente fala de uma família que vem do interior do Nordeste, com todas as dificuldades que eles passaram, que é a realidade de todos os atletas do Brasil, a gente sabe o quanto uma proposta comercial pode ser atrativa. Mas eles sabem avaliar quando não é o momento, para não ser estressante para ela como criança”, diz Tatiana.

O talento precoce está sendo lapidado para que o esporte seja uma diversão e não um trabalho. A família deixa isso claro a todo momento e Tatiana faz questão de garantir isso. “O propósito é fazer a jornada da Rayssa até 2024 mais leve e nossa estratégia é trazer parceiros de negócio que entendam que a Rayssa é uma criança e que isso é a primeira coisa a ser levada em consideração. É a agenda dela de criança, de escola, são as vontades dela”, explica.

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O time Rayssa possui uma gestão integrada de carreira, com parceiros de confiança que ajudam a família como assessor de imprensa, advogado especializado em contratos de atletas, entre outros. Fadinha tem patrocínios para as peças do skate, como lixa, shape, roda, truck e rolamento, mas também tem outros contratos de imagem. Se para o ciclo até Tóquio ela tinha quatro marcas junto com ela, agora já tem quase o dobro até os Jogos de Paris, em 2024. Fora apoiadores que se envolvem em campanhas esporádicas por um período menor. “Estamos com parceiros legais, que realmente têm a ver e fazem parte do dia a dia dela”, afirma.

Muitos skatistas de ponta costumam deixar o Brasil para poder treinar com mais qualidade. Isso inevitavelmente vai ocorrer com Rayssa, mas não agora. No momento todos os esforços estão sendo feitos para construir uma pista profissional em Imperatriz. “Lá ela treina na praça, não tem um local apropriado. Então a ideia é dar a melhor pista possível para ela lá na cidade. A família ainda quer ficar lá por mais tempo e só estamos buscando um lugar para construí-la. Tenho certeza de que vai ajudar a Rayssa a ter um nível de competitividade ideal. E tomara que venham outras Rayssas de lá”, comenta Tatiana.

Enquanto sua pista não chega, Rayssa vai conquistando novos fãs com seu carisma. Ela sabe o quanto a medalha olímpica projetou sua carreira. “Em todos os campeonato que eu ia os amigos da escola mandavam boas energias e fico grata por ter amigos que te apoiam a fazer o que ama. Eu me inspiro todos os dias nas meninas que mandam mensagem, na Leticia Bufoni, fico feliz e vou aprendendo novas manobras. Saber que sou inspiração é muito gratificante”, diz a garota.

Ela conta que foi em uma escolinha de skate em São Paulo e muitas falavam que começaram a andar por causa dela. “O skate era muito marginalizado. Saber que a gente pôde quebrar esse padrão é muito legal. Agora os pais estão deixando as crianças serem felizes andando de skate”, afirma, aproveitando para dar dicas a quem está começando. “Não desistir é a primeira coisa. A segunda é ver vídeos no YouTube e foi lá que eu aprendi manobras na maioria das vezes. E por último ter o material correto para começar a andar, pois se usar o equipamento errado vai perder a motivação.”

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A atleta já vem se preparando para os Jogos de Paris, quando estará com 16 anos. Para a menina que teve um vídeo viralizado quando era bem pequena, andando de skate vestida de fada e mostrando uma desenvoltura impressionante, o conto de fadas está apenas começando. “Não só acredito como eu sou uma fada. Sempre acreditei e a primeira vez foi quando minha mãe falava que se colocasse o dente que caiu debaixo do travesseiro poderia ganhar algo. Desde então sempre acreditei”, conclui a Fadinha do skate.

Estadão Conteúdo








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