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Messi não tem condições de jogar 90 minutos, avalia técnico La Volpe às vésperas da Copa

Campeão mundial de 1978 afirma que a seleção argentina segue entre as favoritas para a Copa de 2026, mas defende que Lionel Scaloni encontre um sucessor para Lionel Messi

Redação Jornal de Brasília

03/06/2026 17h01

Foto: Pedro PARDO / AFP

O técnico Ricardo La Volpe acredita que a Argentina tem chances de conquistar o tetracampeonato na Copa de 2026, na América do Norte, mas faz uma ressalva em relação ao agora veterano astro Lionel Messi. “Não acho que ele tenha condições de jogar 90 minutos”, diz ele à AFP.

A lesão na perna esquerda sofrida pelo capitão da ‘Albiceleste’, que fará 39 anos no dia 25 de junho, em pleno Mundial, já é um sinal de alerta.

E La Volpe, campeão mundial com a Argentina em 1978, como terceiro goleiro do elenco comandado por César Luis Menotti, acredita que o tempo está se esgotando para o técnico Lionel Scaloni encontrar um substituto.

“É preciso encontrar um jogador capaz de desequilibrar as defesas, dar assistências e finalizar as jogadas”, afirmou o lendário treinador, que comandou a seleção mexicana e diversos clubes do México, além do Boca Juniors. Atualmente, ele atua como comentarista de televisão.

Com dois jogos de preparação pela frente, contra Honduras e Islândia, La Volpe espera “ver com quem Scaloni já está trabalhando”.

“Quem será esse jogador importantíssimo?”, insiste ele.

A situação envolvendo Messi, esclarece ele, não diminui as chances da ‘Albiceleste’ de defender o título conquistado no Catar em 2022, embora ele enxergue sérios obstáculos para isso, na vice-campeã França, assim como na Espanha e em Portugal.

“A Argentina sabe sair jogando desde a defesa. Seus meio-campistas desgastam o adversário com tabelas e rompem as linhas defensivas com passes em profundidade que causam muitos danos”, comenta. “Eles possuem um meio-campo com excelente capacidade técnica”, além de laterais que representam uma ameaça durante as transições.

Quanto à função de camisa 9, La Volpe acredita que Julián Álvarez é a escolha ideal, em detrimento de Lautaro Martínez: “Devido à sua explosão e mobilidade, simplesmente não é possível fazer uma marcação individual contra ele”.

– Seis argentinos –

Seis treinadores argentinos estarão à beira do campo na Copa do Mundo de 2026, incluindo Scaloni.

“Ele pratica um jogo mais atraente, arrisca mais”, diz La Volpe sobre o atual técnico da Argentina, enquadrando-o no estilo de Pep Guardiola.

Ele também destaca a gestão de Gustavo Alfaro no comando da seleção paraguaia.

“Ele é um grande treinador”, afirma. “Fiquem de olho no Paraguai: é uma equipe difícil, com jogadores fortes defensivamente e, atenção, porque eles contra-atacam com eficácia”.

La Volpe ressalta a “disciplina tática” de Marcelo Bielsa com o Uruguai e lamenta que Mauricio Pochettino não tenha conseguido conquistar o vestiário dos Estados Unidos.

Ele acredita que Néstor Lorenzo e Sebastián Beccacece enfrentam um cenário semelhante com a Colômbia e o Equador: “Eles têm ótimos jogadores, mas… eu diria que eles não têm na cabeça a obrigação de se tornarem campeões”.

– Coração mexicano –

Residente no México desde 1979 e técnico do ‘El Tri’ na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, onde a seleção mexicana foi eliminada pela Argentina nas oitavas de final, La Volpe prevê que o coanfitrião da Copa de 2026 vencerá o Grupo A.

“Eles terão a vantagem de um estádio lotado a seu favor”, observa o treinador, embora faça um alerta sobre os cânticos homofóbicos da torcida, que já custaram ao México duas multas da Fifa em partidas disputadas em 2024.

“Nos falta fluidez futebolística, melhores transições e maior variedade tática”, e “se as coisas não estiverem indo bem, poderemos ouvir aquele famoso grito. Esperemos que eles esqueçam disso porque pode levar à suspensão da partida, acrescenta.

La Volpe centra sua análise sobre o México no meio-campista Gilberto Mora, a estrela em ascensão do ‘El Tri’, argumentando que ele possui potencial para brilhar na Copa do Mundo de 2026 atuando como “homem de ligação”, e “não como volante”.

Mora “tem faro de gol e a capacidade de dar assistências”, explica ele. “Eu não gostaria de desgastar fisicamente o Mora fazendo-o jogar recuado. Eu o imagino jogando da maneira que um Messi joga, ou um James. Mais à frente”.

Mora terá 17 anos e 240 dias de idade no momento da partida de abertura, marcada para 11 de junho no Estádio Azteca. É o mais jovem dos 1.248 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026.

“Ele já provou seu valor na primeira divisão. Não estamos apenas fazendo uma aposta em um garoto qualquer”, conclui La Volpe, que durante sua passagem pela seleção mexicana, apostou em jovens promessas como os lendários Guillermo Ochoa e Andrés Guardado na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

AFP

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