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João Fonseca chega à grama em novo patamar e diante de um desafio decisivo

Aos 19 anos, o brasileiro alcançou as quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez, derrotou Novak Djokovic durante o torneio e subiu para a 25ª posição do ranking da ATP

Murilo Adjuto

09/06/2026 10h45

tennis gbr atp eastbourne

tennis gbr atp eastbourne Foto por ADRIAN DENNIS / AFP

A histórica campanha em Roland Garros colocou João Fonseca em um novo patamar no tênis mundial. Aos 19 anos, o brasileiro alcançou as quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez, derrotou Novak Djokovic durante o torneio e subiu para a 25ª posição do ranking da ATP, com 1.735 pontos na classificação, tornando-se o tenista sul-americano mais bem colocado da atualidade. 

Agora, o cenário muda completamente. A partir desta semana, Fonseca inicia a temporada de grama, considerada por muitos especialistas a superfície mais desafiadora do circuito para jovens tenistas em processo de desenvolvimento. As rodadas europeias de grama começaram oficialmente nesta segunda-feira (8) e acabará em Wimbledon, principal torneio da superfície, entre 29 de junho e 12 de julho.

Calendário definido até Wimblendon

João fará sua estreia na grama no ATP 500 de Halle, na Alemanha, disputado entre 15 e 21 de junho. Em seguida, jogará o ATP 250 de Eastbourne, na Inglaterra, entre 22 e 27 de junho, última preparação antes de Wimbledon, que começa em 29 de junho, em Londres. 

Os dois torneios serão fundamentais para a adaptação do brasileiro à superfície mais rápida do tênis profissional.

O desafio de adaptar o jogo

A grama exige características diferentes das quadras de saibro. Os pontos costumam ser mais curtos, o saque ganha importância, a bola quica mais baixa e há menos tempo para construir trocas longas.

Em teoria, algumas armas de João podem funcionar muito bem nesse cenário. O brasileiro possui saque potente, golpes agressivos de fundo de quadra e gosta de assumir riscos, características valorizadas em torneios disputados na grama.

Por outro lado, a movimentação é um desafio. A superfície é mais escorregadia e exige deslocamentos específicos, algo que costuma demandar experiência e adaptação gradual. O próprio histórico recente mostra que a grama ainda é um terreno em desenvolvimento para o brasileiro.

Números mostram evolução, mas pouca experiência

Até meados de 2025, Fonseca tinha pouquíssima bagagem na superfície. Sua primeira vitória em nível ATP na grama aconteceu apenas em Eastbourne, quando derrotou o belga Zizou Bergs em três sets. 

A falta de experiência contrasta com o desempenho que ele já apresenta em quadras duras e no saibro, superfícies nas quais conquistou seus dois títulos ATP, em Buenos Aires e Basileia. 

Por isso, a temporada de grama de 2026 surge como um importante teste para medir a velocidade de sua evolução técnica.

O que esperar de Wimbledon

A expectativa em torno de Fonseca cresceu após Roland Garros. O torneio francês mostrou um jogador mais maduro fisicamente e mentalmente, capaz de competir de igual para igual com a elite do circuito. O próprio tenista afirmou que a campanha lhe deu mais convicção sobre sua capacidade de disputar grandes torneios. 

Ainda assim, Wimbledon provavelmente será um desafio mais complexo do que Paris. A grama costuma favorecer atletas mais experientes na superfície e especialistas em saque e voleio.

Para João, o objetivo principal parece ser continuar acumulando experiência, ganhar partidas e consolidar sua posição entre os melhores do mundo. Se conseguir transferir para a grama a agressividade que exibiu no saibro, o brasileiro tem potencial para surpreender novamente.

Uma nova etapa da ascensão

A chegada ao Top 25 não representa um ponto de chegada, mas o início de uma nova fase. Fonseca está a apenas uma posição de igualar seu melhor ranking da carreira e segue construindo uma trajetória que recolocou o tênis brasileiro entre os protagonistas do circuito internacional. 

A temporada de grama mostrará até onde esse crescimento já chegou. Se o saibro confirmou João Fonseca como realidade, as próximas semanas podem revelar quão rápido ele está preparado para se tornar uma ameaça em qualquer superfície.

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