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Copa do Mundo bilionária começa em 50 dias sob tensão global e críticas por ingressos caros

Elevado preço dos ingressos suscitaram críticas a pouco menos de dois meses para o início da competição de futebol mais importante do planeta

Redação Jornal de Brasília

22/04/2026 6h16

copa mexico

Foto: Fifa

A 50 dias de começar, a maior Copa do Mundo de todos os tempos, com 46 seleções e 104 partidas, lida com uma série de crises. A Guerra no Oriente Médio, a política migratória do presidente americano Donald Trump nos Estados Unidos e o elevado preço dos ingressos suscitaram críticas aos organizadores a pouco menos de dois meses para o início da competição de futebol mais importante do planeta.

Fala-se muito sobre a presença ou ausência de Neymar na convocação de Carlo Ancelotti, a ser realizada em 18 de maio, lembram os fãs da despedida de Mundiais dos astros Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, e especula-se, como em toda edição, os favoritos a levantar a taça na América do Norte.

Mas, a 50 dias para 11 de junho, data do jogo inaugural entre México e África do Sul, no lendário Estádio Azteca, todas as discussões futebolísticas têm ficado em segundo plano, em muitos momentos, diante das crises internas dos países anfitriões, sobretudo os Estados Unidos.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump passou a liderar retórica agressiva contra imigrantes e promoveu divisões políticas e tensões com aliados.

A maior parte das tensões está relacionada aos EUA, que, em coordenação com Israel, iniciaram ataques contra o Irã no final de fevereiro de 2026. Embora o presidente da Fifa, Gianni Infantino, assegure que o Irã vai jogar o Mundial, não é certo que a seleção asiática, que conseguiu sua vaga no campo, viaje ao país que atacou sua nação para disputar a competição.

O ministro dos Esportes do Irã chegou a dizer que a participação da seleção estava em aberto devido ao conflito, mas recentemente declarou que a participação da seleção iraniana no torneio está condicionada a mudanças de locais das partidas da equipe, o que é inviável por razões logísticas e comerciais.

A seleção asiática caiu no Grupo G, e tem todas as três partidas da primeira fase marcadas para os Estados Unidos – duas em Los Angeles, contra Nova Zelândia e Bélgica, e uma em Seattle, diante do Egito.

O conflito fez o Irã restringir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao mar aberto. Os EUA também instituíram um bloqueio aos portos iranianos. As tensões entre Washington e Teerã voltaram a escalar nos últimos dias.

Infantino crê que o futebol “deve estar fora da política”, ignorando que os ambos estão intrinsicamente relacionados. “Ok, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra. Mas se não há mais ninguém que acredite na construção de pontes e em mantê-las intactas e juntas, bem, estamos fazendo isso”, afirmou o presidente da Fifa em declaração recente.

Ingressos a valores astronômicos

O chefe da Fifa tem sido questionado também a respeito dos exorbitantes preços dos ingressos para a Copa, que promete ser a mais cara da história.

A Fifa estabeleceu um sistema de preços dinâmicos, que variam conforme a demanda, o que fez os valores dispararem para muitas das partidas. Infantino atribuiu esse aumento ao “mercado”.

A maioria dos ingressos custa pelo menos US$ 300 (cerca de R$ 1,5 mil) para os jogos das seleções principais e US$ 2 mil (pouco mais de R$ 10 mil) para a final na categoria mais barata, enquanto os melhores lugares chegam a custar US$ 8.680 (quase R$ 45 mil).

Ainda há à venda ingressos para 44 das 72 partidas da fase de grupos na plataforma da Fifa. Dos três jogos do Brasil, existem bilhetes disponíveis apenas para o duelo com o Haiti, na Filadélfia, por US$ 2.280 – R$ 11,3 mil.

O torcedor que quiser ver a estreia dos anfitriões Estados Unidos, em 12 de junho, na região de Los Angeles, terá de pagar entre US$ 1,9 mil (R$ 9,5 mil) a US$ 4,1 mil (R$ 20 mil). Os ingresso mais baratos, no momento, são para o confronto entre Curacao e Costa do Marfim, vendidos por US$ 530 (R$ 2,6 mil).

Segundo a Fifa, foram vendidos, por enquanto, cerca de 5 milhões dos quase sete milhões de ingressos colocados à venda, considerando a capacidade dos 16 estádios que receberão os confrontos. A entidade acredita que o recorde histórico de público, de 3,5 milhões de pessoas nos estádios, estabelecido na Copa do Mundo de 1994, nos EUA, será superado. Nesta quarta, a entidade inicia nova fase da venda dos bilhetes, das categorias 1 a 3, por ordem de chegada e em tempo real.

Existem também as plataformas de revenda, incluindo a gerida pela própria Fifa. Este mercado secundário é livre – cada revendedor define o seu próprio preço – nos Estados Unidos e no Canadá, um sistema que eleva ainda mais os preços, já excludentes.

A Fifa projeta, em seu relatório financeiro, faturamento de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com entradas e pacotes de hospitalidade, e US$ 11 bilhões (R$ 54 bilhões) com toda a competição.

Passagem de trem 12 vezes mais cara para o estádio da final

Também dispararam os preços das passagens de trem de Nova York para o MetLife Stadium, que receberá oito jogos do Mundial, incluindo a final e a estreia da seleção brasileira contra o Marrocos.

O MetLife fica na pequena cidade de East Rutherford. Existe um trem que sai de Nova York e deixa os torcedores no estacionamento do estádio. As passagens de ida e volta para esse trajeto de cerca de 30 minutos custavam US$ 12,90 (R$ 64) e serão vendidas na Copa por US$ 150 (R$ 750) – 12 vezes mais cara.

O presidente e CEO da New Jersey Transit, Kris Kolluri, argumenta que essa tarifa elevada é necessária para compensar o custo de US$ 48 milhões da implementação de trens especiais para o estádio.

O senador democrata Chuck Schumer pediu à Fifa que custeie os gastos do transporte público das cidades e estados anfitriões durante o evento. A federação criticou o aumento e disse que “exigir que a Fifa absorva esses custos é algo sem precedentes”.

A entidade havia declarado que os acordos originais com as cidades-sede da Copa “exigiam transporte gratuito para os torcedores em todas as partidas”. No Mundial do Catar, os torcedores podiam usar o sistema de metrô de Doha gratuitamente com seus ingressos para as partidas.

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