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Como Mônaco usou Neymar e Rollheiser para obter condenação do Santos no CAS

Tribunal arbitral condena o clube paulista a pagar mais de R$ 12 milhões por parcela atrasada da transferência do volante; contratações de Neymar e Rollheiser pesaram contra a defesa santista

Redação Jornal de Brasília

09/06/2026 13h14

fbl bra santos coritiba

Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

BRUNO LIMA
UOL/FOLHAPRESS

A Corte Arbitral do Esporte (CAS) rejeitou o recurso do Santos e condenou o clube a pagar 2,032 milhões de euros (pouco mais de R$ 12,1 milhões) ao Mônaco pela compra do meio-campista Jean Lucas.

O Alvinegro já havia sido condenado em primeira instância pela FIFA, mas recorreu ao CAS sob a justificativa de estar passando por uma reestruturação financeira e por entender que a taxa de juros anual estipulada em contrato era abusiva.

Ocorre que os anúncios dos acertos com Neymar e Rollheiser, em datas muito próximas ao vencimento da dívida, pesaram para o tribunal recusar o pedido do Santos.

ENTENDA O CASO

Jean Lucas foi comprado pelo Santos em julho de 2023.

O Peixe viabilizou o negócio por 6 milhões de euros (pouco mais de R$ 31 milhões na cotação da época).
O valor foi parcelado em três prestações fixas de 2 milhões de euros.

As duas primeiras, previstas para agosto de 2023 e junho de 2024, foram quitadas normalmente.
A terceira parcela, porém, que vencia em 31 de janeiro de 2025, não foi depositada na conta do clube francês.

Em fevereiro de 2025, o Santos reconheceu a inadimplência e propôs parcelar os 2 milhões de euros restantes em duas vezes: a primeira metade em agosto de 2025 e a segunda em janeiro de 2026.

O Mônaco recusou a nova proposta alegando que tinha compromissos financeiros a cumprir.

O clube francês chegou a oferecer o perdão total dos juros se o Santos quitasse a pendência dentro de uma semana, o que não aconteceu.

Em março de 2025, o Mônaco acionou a FIFA.

O Santos, mais uma vez, reconheceu a dívida, mas contestou os juros contratuais de 15% ao ano, pedindo a redução para uma taxa entre 5% e 8%.

Como o contrato estipulava explicitamente que qualquer atraso de pagamento geraria, sem necessidade de aviso prévio, a taxa de 15% pro rata (proporcional ao tempo), a FIFA deu razão ao Mônaco e determinou a aplicação de transfer ban ao Santos, caso o valor não fosse pago em até 45 dias.

MÔNACO USA NEYMAR E ROLLHEISER

Sem dinheiro em caixa para resolver a questão e queixando-se dos juros, o Santos recorreu ao CAS em agosto de 2025.

No órgão, o Mônaco apresentou sua defesa e anexou documentos que rebateram a versão de ‘vulnerabilidade financeira’ sustentada pelo Peixe.

Na decisão, o árbitro relatou o posicionamento dos franceses:

(…) um dia antes do prazo de pagamento e, novamente, menos de duas semanas depois, o Apelante (Santos) procedeu à contratação permanente de dois jogadores de renome, investindo ativamente na aquisição de atletas apesar de aparentemente carecer de fundos para cumprir suas obrigações contratuais.

Um dos jogadores em questão é Neymar, cujo retorno foi oficializado pelo clube em 31 de janeiro, coincidindo com a data de vencimento da última parcela de Jean Lucas.

Já o outro é o argentino Rollheiser, confirmado na Vila Belmiro em 12 de fevereiro, duas semanas após o vencimento da prestação, por meio de uma operação de 11 milhões de euros (R$ 65 milhões).

CAS VÊ “CONDUTA DESLEAL” DO SANTOS

A situação fez com que Eligiusz Krzesniak, Árbitro Único do caso, criticasse duramente a postura do Peixe em sua sentença:

O Árbitro Único observa ainda a conduta desleal do Apelante (Santos), que pareceu ter como objetivo atrasar o pagamento da quantia acordada. O Apelante informou o Requerido (Mônaco) sobre suas dificuldades de pagamento apenas vários dias após o prazo contratual de vencimento e depois de o Requerido ter questionado duas vezes sobre o valor pendente.

Em razão disso, Krzesniak manteve a condenação: o Santos terá de pagar os 2 milhões de euros da parcela pendente sob o Acordo de Transferência, acrescidos de 32,8 mil euros (cerca de R$ 192 mil) a título de juros acumulados no período.

Com o recurso definitivamente rejeitado, o Santos precisa correr contra o tempo para quitar os valores e evitar a execução do transfer ban da FIFA, que impediria o clube de registrar novos reforços justamente na próxima janela de transferências, agendada para abrir no dia 20 de julho.

Procurado para comentar o caso, o Santos não se manifestou até o momento da publicação. Caso o clube se posicione, a matéria será devidamente atualizada.

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