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Com rifas e ajuda de amigos, torcedores se viram para ver a final da Libertadores

Ônibus e carros se tornaram a alternativa mais viável de deslocamento para a capital uruguaia

O preço exagerado das passagens aéreas, acomodações e dos ingressos para assistir à final da Libertadores no Uruguai foram um grande obstáculo para muitos flamenguistas e palmeirenses, mas não impediram que os aficionados pelos seus times dessem um jeito de vir a Montevidéu acompanhar de perto a decisão continental no estádio Centenário neste sábado. Ônibus e carros se tornaram a alternativa mais viável de deslocamento para a capital uruguaia. Há quem recebeu ajuda financeira de amigos, fez rifas, parcelou compras e vendeu itens pessoais para não ficar longe de Flamengo ou Palmeiras.

Anny Caroline dos Santos, 22 anos, trabalha em um mercado no Rio de Janeiro. Sem dinheiro para o ingresso, ela fez uma rifa e arrecadou o suficiente para comprar o bilhete mais barato – R$ 1,1 mil. “O Flamengo classificou pra final, e então depois veio o valor do ingresso. Me desesperei porque eu não iria ter esse dinheiro, isso é o meu salário praticamente, pensei em diversas formas e acabei recorrendo a uma rifa”, afirma a torcedora rubro-negra.

“Em 2019 eu estava de ingresso comprado pro Chile e quando mudou pro Peru não tive condições de ir e foi a maior decepção da minha vida”, relata Anny. Ela veio do Rio a Montevidéu com a caravana da torcida organizada Raça Rubro-Negra. A viagem custou R$ 900 e foi financiada em parte por amigos que lhe ajudaram.

Os flamenguistas, aliás, são maioria em Montevidéu. Desde quinta-feira, a reportagem do Estadão notou a presença maciça dos rubro-negros em vários pontos da cidade, incluindo na Embaixada do Torcedor, em Punta Carretas, e outros lugares turísticos, como o Mercado do Porto. Lá, restaurantes e bares tiveram de fechar mais cedo na quinta-feira porque não havia mais cerveja para os torcedores. Boa parte dos palmeirenses chegou na sexta-feira, mas continuam em minoria. As organizadas dos clubes estão separadas pelos policiais, que elaboraram uma estratégia para evitar confrontos na pacífica Montevidéu.

Paula Alvarenga, 28, se programou para a final da Libertadores antecipadamente. Ela confiava que o Flamengo chegaria à terceira final continental. Sua previsão foi acertada, mas os preços estão mais altos do que previa. Com isso, teve de ir do Rio para Porto Alegre e, da capital gaúcha, viajou de ônibus em uma caravana de torcedores. “Virou o trajeto mais rápido e com o melhor custo benefício”, constata a torcedora, que pagou R$ 550 pelo percurso terrestre.

A empresária estima gastar cerca de R$ 3 mil no Uruguai, o que não é muito diante de sua paixão pelo time. “Flamengo é minha religião, vivo Flamengo, meu único hobby e meio de diversão”.

Outra alternativa para fugir do avião em virtude do alto valor das passagens – não encontradas por menos de R$ 9 mil – é viajar de carro, caso do palmeirense Rafael Simone Neto, 63 anos. O engenheiro civil saiu de São Paulo na quinta e entrou em Montevidéu na manhã deste sábado. Foi sem pressa, parando em alguns lugares para comer e dormir. São cerca de 2 mil km e mais de 25 horas de viagem. Ele foi acompanhado no périplo por mais dois amigos, o que barateou os custos.

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“A ideia de ir para final sempre existe em qualquer ano. A distância e preços deixaram dúvidas, mas a paixão falou mais alto. Palmeiras é uma paixão de família, de gerações”, conta o palmeirense.

Flamengo e Palmeiras, os dois últimos campeões da Libertadores, se enfrentam neste sábado, às 17h, no histórico Centenário. Quem vencer, leva seu terceiro título continental e amplia o domínio no futebol sul-americano.

Estadão Conteúdo

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