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Brasil enfrenta o Haiti em jogo marcado por história e solidariedade

O duelo pela Copa do Mundo reúne seleções em extremos opostos do ranking e revive laços entre os dois países, dentro e fora de campo.

Redação Jornal de Brasília

16/06/2026 17h28

haiti seleção

Foto: Imago/ Newscom World

Brasil e Haiti se enfrentam na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), em Filadélfia, nos Estados Unidos, pela Copa do Mundo. O duelo coloca frente a frente seleções em extremos opostos do ranking da Fifa: o Brasil aparece em sexto lugar, enquanto o Haiti ocupa a lanterna.

A partida marca o retorno histórico dos haitianos ao Mundial, 50 anos depois da primeira participação, em 1974. A classificação ocorre em meio à grave crise política e humanitária no país, agravada por desastres naturais, como o terremoto de 2010.

Conhecidos como Les Grenadiers, os haitianos chegam ao torneio com um novo uniforme, sem referência à luta anticolonial, após exigência da Fifa. A seleção estreou com derrota por 1 a 0 para a Escócia, no último sábado (13), mesmo tendo dominado a partida durante boa parte do tempo.

O atacante Duckens Nazon, artilheiro da equipe com 44 gols em mais de 80 jogos, foi um dos destaques na campanha que levou o Haiti à Copa do Mundo. Ele marcou três gols no empate em 3 a 3 com a Costa Rica, resultado decisivo nas eliminatórias.

Fora das quatro linhas, o confronto também remete à relação histórica entre Brasil e Haiti, marcada por solidariedade, acolhimento humanitário e ações culturais. Um dos episódios mais lembrados ocorreu em 2004, quando, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil levou jogadores como Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho para um amistoso em Porto Príncipe, no chamado Jogo da Paz.

Na ocasião, a partida foi associada ao início de uma campanha de desarmamento no Haiti, em um contexto de conflitos armados. O então técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, recordou a recepção da população haitiana nas ruas da capital.

A relação entre os dois países também ganhou novos contornos após o terremoto de 2010, que deixou 200 mil mortos, entre eles 18 militares brasileiros em missão de paz, e 1,5 milhão de desabrigados. Depois da tragédia, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública facilitou a entrada de haitianos no Brasil.

A reportagem também destaca a situação política do Haiti, governado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, com apoio dos Estados Unidos, e marcado pela presença de grupos armados que controlam a capital. Segundo o historiador Gabriel Léccas, a exigência da Fifa para retirar a referência à revolução haitiana da camisa da seleção se insere em um processo de silenciamento da história do país.

*Com informações da Agência Brasil

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