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Na quarta-feira (3), o presidente Jair Bolsonaro voltou a se valer da magnetizada plateia acrítica que se reúne na frente do Palácio da Alvorada para soltar mais uma das suas impressões equivocadas (propositalmente ou não). Disse que esperava somente a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para por em prática seu “plano” de combate à covid-19.

A pantomima presidencial em frente à sua plateia seria cômica se não fosse trágica. O presidente certamente desistiu de proferir suas frases tragicômicas para jornalistas porque sem dúvida seria retrucado. E reagiria com o seu já clássico “Acabou a entrevista!”. Assim, ele prefere a turma que parece deixar na prateleira da casa o cérebro e segue para a porta do Alvorada embevecida pelas palavras do seu “mito”.

A história de Bolsonaro sobre um “plano” que o STF não o deixa executar insere algumas farsas. A primeira: o STF nunca o impediu de executar plano algum. A segunda: Bolsonaro vale-se dessa argumentação torta porque não tem plano nenhum. Ou, no máximo: o plano que tem, ou tinha, revelou-se totalmente equivocado.

Bolsonaro resolveu macaquear a estratégia de Donald Trump de minimizar a pandemia, de acreditar que ela seria pouco letal e passageira. Uma aposta que ia contra os alertas de dez entre dez sanitaristas, epidemiologistas e infectologistas do planeta. Nos Estados Unidos, a ideia desastrada fez com que a arrogante nação que se julga a mais desenvolvida do mundo amargasse o vexame de se tornar aquela com o maior número de pessoas mortas e infectadas pelo novo coronavírus.

A miquice de Bolsonaro fez com que o Brasil se tornasse o segundo nessa triste estatística de contaminações e mortes pela covid. Nos Estados Unidos, Trump pagou o preço, perdendo as eleições. De volta à sanidade, os norte-americanos já vacinaram mais de 17% da população. Lá, a curva da doença já tende a cair. Enquanto isso, o Brasil está novamente no trágico pico da pandemia. O Brasil já superou os Estados Unidos na contagem de mortes em um período de 24 horas. Aqui, vacinamos somente cerca de 3% da população. Com a tendência de curva descendente nos Estados Unidos e ainda ascendente por um bom tempo por aqui, a Organização Mundial de Saúde já alerta que poderemos ultrapassar a terra que se livrou de Trump em número de contaminações e mortes e nos tornarmos, assim, o palco principal dessa tragédia chamada covid-19.

Logo no começo do que viraria uma pandemia, quando ainda nem tinha nome, o Brasil tinha, sim, um plano. E um plano que poderia ter dado muito certo. O Brasil foi o primeiro país depois da China a identificar a possibilidade de surgimento de um novo tipo de pneumonia virótica com alto potencial de gravidade. Antes de qualquer outro país no planeta, ainda em novembro de 2019, a Coordenação Geral de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde identificou conversas de médicos em redes sociais chinesas sobre o aparecimento de uma doença respiratória grave. Antes de qualquer outra nação do planeta, pediu informações à Organização Panamericana de Saúde (Opas). E estabeleceu já naquele momento um protocolo de identificação e monitoramento de pessoas que viessem da China para o Brasil. Novembro de 2019… Está no livro Guerra à Saúde, do jornalista Ugo Braga.

No começo da pandemia, o Ministério da Saúde traçava por aqui um plano rigoroso de combate. Que ganhava elogios não só no país mas no mundo todo. Tivesse seguido esse plano, Bolsonaro hoje poderia se vangloriar dos resultados obtidos pela equipe que preside. Poderia ter naquele que era então seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um fortíssimo candidato a ser seu vice-presidente na chapa de 2022.

Mas Bolsonaro preferiu mover-se pelo ciúme. Passou a temer a sombra da popularidade que Mandetta ia conquistando. Sem perceber que sempre Mandetta seria seu subordinado. E que, por maior que pudesse vir a ser o brilho de Mandetta, o brilho primeiro seria dele. Assim como da mesma forma por maior que sejam hoje os fracassos de seu atual ministro, general Eduardo Pazuello, antes os fracassos de Pazuello serão seus fracassos.
Em outro trecho de Guerra à Saúde, Ugo Braga relata um modelo apresentado pelo então diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda. Segundo o modelo, se nada fosse feito para conter a evolução da doença, nós chegaríamos à marca de 390 mil mortes pela covid-19. Um ano depois, ultrapassamos a marca de 250 mil mortes. Vamos atingir ao número tristemente projetado por Croda porque nada foi feito? Ou porque o que foi feito foi tragicamente errado?

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Vanessa Teodoro Trajano

Nossa entrevistada de hoje é a escritora radicada em Brasília, Vanessa Teodoro Trajano, que se dedica a escrever obras literárias pra lá de quentes!

A epidemia era a peste negra e o ano 1348 quando o Florentino Giovanni Boccaccio idealizou a obra prima Decamerão escrito no vernáculo Florentino e concluído em 1353. Boccaccio não esperava que a sua forma de escrever fizesse seguidores. No livro um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigaram em um castelo próximo de Florença para fugir da peste negra, narraram 100 contos para passar o tempo do “lockdown” medieval. Os contos eróticos chocaram os italianos e a obra foi considerada um marco literário na ruptura entre a moral medieval.

Séculos depois uma nova febre foi popularizada pela escritora E.L. James autora de “50 Tons de Cinza” que abriu caminhos para o Hot nacional. O gênero que já tinha Cassandra Rios, Sacher Masoch, Marquês de Sade e tantas outras, foi invadido por uma enxurrada de escritoras da nova geração a exemplos de Ariela Pereira que escreveu “Redenção e Desejo” e Ane Pimentel autora de “Acordo Pré-Nupcial”. Definitivamente o “Quanto mais quente melhor” caiu nas graças e no fetichismo dos leitores brasileiros e o hot deu a sua grande virada.

O início de tudo foi Feira do Livro de Frankfurt no ano de 2011, onde uma grande oferta de livros eróticos tomou conta das prateleiras consolidado posteriormente na Feira do Livro de Londres. O que podemos constatar foi a grande explosão da produção e da venda de romances eróticos puxados por “50 tons de cinza”, com isto eles assumiram a liderança na linha editorial — já são mais de 70 milhões de exemplares vendidos no globo.

Mas, a questão era saber o quanto isso ia durar ou se seria uma coisa mais passageira, a resposta não demorou a vir, o hot tinha caído no gosto dos leitores e solidificou. Centenas de escritoras passaram a escrever o gênero e Vanessa Teodoro Trajano uma Piauiense, ganhou destaque no cenário nacional. Além de escritora, ela é professora de língua portuguesa com mestrado em Estudos Literários pela Universidade Federal do Piauí. Atualmente, ocupa uma cadeira como imortal da Academia Cruzeirense de Letras em Brasília, ocupando a cadeira cujo patrono é Nelson Rodrigues.

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Recentemente, participou como colaboradora no roteiro do curta Maria, em fase de produção pela Leãopontodecinema e do Gostosa, longa a ser filmado pela produtora Guabes. Ambos têm como foco narrativo problematizar o assédio e a violência sexual sofrida pelas mulheres, sobre as quais Vanessa foi convidada para dar a sua visão feminina.

Mulheres Incomuns. Obra de Vanessa Teodoro Trajano
Mulheres Incomuns. Obra de Vanessa Teodoro Trajano

A nossa entrevistada possui 15 publicações, entre antologias e obras individuais as quais destacamos “Mulheres Incomuns” (2012 – contos); “Poemas Proibidos” (2014); “Doralice” (2015, romance); “Ela não é mulher pra casar” (2019), sendo finalista do Prêmio Guarulhos na categoria livro do ano. Em 2020, no ano da pandemia produziu o seu novo livro, “Supermulher e outras performances poéticas”.

Ela não é mulher pra casar, de Vanessa Teodoro Trajano
Ela não é mulher pra casar, de Vanessa Teodoro Trajano

Mas, se você ainda tem alguma dúvida se o “hot” seria capaz de ter força suficiente para durar tanto quanto as histórias de bruxos, vampiros e anjos, nos acompanhe nesta jornada do “Quanto mais quente, melhor!” com Vanessa Teodoro Trajano.

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