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Política & Poder

Senado reúne 24 projetos na agenda de direitos das mulheres

Agenda Legislativa 2026 do Grupo Mulheres do Brasil lista propostas sobre violência de gênero, participação política, autonomia econômica, saúde, educação e violência digital.

Redação Jornal de Brasília

12/06/2026 18h33

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Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O Senado analisa 24 projetos considerados estratégicos para o avanço dos direitos das mulheres, segundo levantamento do Grupo Mulheres do Brasil, que lançou nesta semana sua Agenda Legislativa 2026 em sessão solene do Congresso Nacional. O documento reúne 47 proposições distribuídas em sete eixos temáticos, com matérias em tramitação no Senado e na Câmara dos Deputados.

Entre os projetos já concluídos no Congresso, a agenda destaca o PL 3.880/2024, que foi convertido na Lei 15.384, de 2026, e reconhece a violência vicária como forma de violência doméstica e familiar. Outro destaque é o PLP 55/2026, que concede incentivos tributários para a realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027 e já foi aprovado pelo Senado, aguardando sanção presidencial.

Na área de enfrentamento à violência contra a mulher, a agenda inclui propostas sobre proteção da imagem de vítimas, assistência jurídica, rescisão de contrato de aluguel sem multa para mulheres em situação de violência doméstica e destinação de recursos para ações de combate à violência. O PL 1.242/2026, por exemplo, criminaliza o registro e a divulgação não autorizada de imagens que identifiquem vítimas de crimes ou acidentes e de cadáveres. Em junho, a proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça na forma de substitutivo e aguarda análise do Plenário.

No eixo de participação política e representatividade, o documento reúne medidas para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. Entre elas está o PLP 112/2021, que institui o novo Código Eleitoral, com reserva de 20% das cadeiras dos legislativos para mulheres e manutenção da cota mínima de 30% de candidaturas femininas. A proposta já foi aprovada pela CCJ e aguarda votação no Plenário do Senado. Também aparece a PEC 38/2015, que busca assegurar representação proporcional de homens e mulheres nas Mesas Diretoras e comissões do Congresso Nacional.

A agenda também dá destaque à autonomia econômica das mulheres, com iniciativas sobre acesso ao crédito, fortalecimento de negócios liderados por empreendedoras e proteção econômica em situações de vulnerabilidade. Entre os projetos prioritários estão o PL 1.404/2025, que altera diferentes normas para ampliar direitos relacionados a pensão alimentícia, afastamento do trabalho em casos de violência doméstica, licença em situações de internação hospitalar decorrente do parto e proteção da lactação de servidoras públicas federais, além do PL 1.883/2021, que cria o Programa Crédito da Mulher, com destinação de recursos do Pronampe para empreendimentos controlados por mulheres. Outro destaque é o PL 904/2023, que trata do fomento ao empreendedorismo feminino e já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos.

Na área da saúde, a agenda inclui propostas sobre prevenção à violência obstétrica e ampliação da vacinação contra o HPV. O PL 84/2023, de autoria da senadora Eliziane Gama, está em análise na Comissão de Direitos Humanos e propõe medidas de enfrentamento à violência obstétrica. Já o PL 4.829/2025, da senadora Dra. Eudócia, amplia a vacinação contra o HPV para pessoas de 9 a 25 anos e está pronto para votação na Comissão de Assuntos Sociais.

O eixo de educação reúne iniciativas para fortalecer a inclusão e o enfrentamento a discriminações nas escolas. Entre elas estão o PL 1.010/2025, que institui a Política Nacional de Educação Midiática e Digital na educação básica, e o PL 4.403/2024, que cria um protocolo nacional para enfrentamento ao racismo, à misoginia e a outras formas de discriminação nas escolas. Este último foi aprovado em decisão terminativa pela Comissão de Educação e poderá seguir para a Câmara caso não haja recurso.

A proteção das mulheres no ambiente digital também aparece entre as prioridades da agenda. O PL 1.033/2025, de autoria da senadora Soraya Thronicke, aumenta penas para crimes como cyberbullying, perseguição digital, violência psicológica, invasão de dispositivos eletrônicos e divulgação não autorizada de imagens íntimas. O texto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e aguarda deliberação da CCJ.

Durante o lançamento da agenda, a senadora Professora Dorinha Seabra ressaltou que o documento reúne demandas de mulheres de diferentes realidades e pode orientar a atuação do Legislativo. Já o senador Fabiano Contarato afirmou que a sub-representação feminina na política segue como um dos principais desafios para a igualdade de gênero.

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