Lá estão eles, colorindo a cidade. Na Esplanada, ao longo do Eixão, nas superquadras. São os ipês-amarelos, os primeiros que costumam florescer quando as primeiras chuvas anunciam o fim próximo da tradicional estiagem de inverno na cidade. Lindos, vistosos, os ipês são para mim quase um símbolo da Brasília em que cresci. Por isso, sempre os mostro aos meus filhos quando as flores aparecem.
Curioso como, nas últimas gerações, as crianças foram cada vez mais perdendo os laços com as plantas e os animais. Nas cidades grandes, é difícil você encontrar uma criança capaz de diferenciar uma mangueira de uma amoreira, um ipê de um ficus, um jatobá de um buriti. É uma tremenda contradição o fato de que, nesta cidade tão cheia de verde, de árvores e de pássaros, os mais novos pouco saibam sobre eles.
Nossas mães são capazes de identificar flores e árvores que nós sequer conhecemos. Nossos filhos, criados entre quatro paredes, apegados às TVs e aos computadores, mal podem discernir entre um joão-de-barro e um pardal. Sabem o que é um pitbull ou um husky siberiano, mas não identificam um caburé ou um bem-te-vi.
Levar ao Jardim Zoológico não adianta muito, já que ali vivem, em sua maioria, animais que não são típicos do cerrado. Só em pássaros, existiam mais de 800 espécies por aqui quando estas plagas ainda eram a Fazenda Bananal de Jorge Pelles. Hoje, dizem os cientistas e pesquisadores, metade delas continua por aqui, ainda que “somente” umas cem espécies possam ser vistas fora das áreas de proteção ambiental.
Não é pouco, mesmo assim. Às margens do Paranoá, nos clubes, mesmo nas árvores das superquadras, é só procurar que você os encontra. Mostre-os a seus filhos. Afinal, em que outra cidade grande do Brasil eles terão esse privilégio?