Supla dá o seu recado
Punk autêntico no palco alternativo, ele teve até o pai na platéia
O ambiente era propício: undergroud. Supla, o roqueiro-mídia do Brasil, subiu ao palco alternativo à 1h40. Na platéia, além das cerca de cinco mil pessoas que resistiram ao show de Alanis Morissete, o pai, senador Eduardo Suplicy. No repertório pop e hard core sucessos de sua antiga banda, o Tokyo.
Garota de Berlim, Humanos e mais as recentes Xarada Brasileiro e Green Hair permeavam o show que teve ainda uma versão para Mr. Postman, dos Beatles e Pet Sematary, dos Ramones, a melhor sacada do cantor paulista.
Se Supla tivesse sido escalado para o palco principal, mesmo depois de Alanis Morissette, ficaria claro seu potencial de grande show man. Sua música fraca comercialmente tem apelo, ele é uma figura indiscutivelmente carismática e seus arranjos atendem à risca a cartilha do pop: refrões fáceis e dançantes.
Mas o cantor foi prejudicado pelo péssimo som do palco alternativo, assim como o Sentupé e a banda brasiliense Amanita Muscária, cujo show só foi melhor compreendido nas proximidades do palco. Vale então a máxima de Os Cachorros das Cachorras, que se apresentam hoje: “Nós somos o rock de Brasília, os outros é que são alternativos”.