O crescimento cada vez maior das cidades, o inevitável processo de industrialização, a busca por altos níveis de produtividade e as jornadas duplas e muitas vezes triplas impostas por nossa sociedade ultramoderna estão desenvolvendo novos hábitos na população de todo o mundo. Cigarro, gordura e café em excesso e exercícios físicos, lazer e legumes e frutas em falta são os primeiros fatores desencadeantes de doenças que, se não tratadas, podem provocar graves problemas de saúde e até mesmo antecipar a morte. O câncer de pulmão é um desses males – um dos maiores problemas da modernidade. Atualmente, existem mais de 1,1 bilhão de fumantes distribuídos por todo o planeta, causando cerca de quatro milhões de mortes por ano. Se continuarmos nesse ritmo, vamos atingir a marca dos 10 milhões de mortes anuais em 2020, dos quais 70% ocorrerão em países em desenvolvimento, como o Brasil. Infelizmente, o tabagismo responde por 40% a 50% de todas as mortes provocadas por câncer, além de ser responsável por 95% dos óbitos causados por tumores no pulmão. O câncer de pulmão é o de segunda maior incidência e é extremamente letal, pois a rica rede de vasos sangüíneos que transporta o oxigênio dos pulmões para o resto do corpo facilita a disseminação do câncer para outras partes do organismo e, geralmente, quando é descoberto, outros órgãos já foram atingidos. Esse tipo de câncer é o mais comum dos malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. A mortalidade por esse tumor é muito elevada e o prognóstico da doença está relacionado à fase em que é diagnosticado. O que vem preocupando a sociedade médica mundial é o aumento do uso do cigarro entre os adolescentes e, principalmente, entre as mulheres, que levadas pela dupla jornada encontram no cigarro uma forma de extravasar o estresse. Por outro lado, houve um grande aumento da procura por apoio e recursos que ajudem a largar o fumo, o que tem criado uma nova demanda por soluções que apóiem os fumantes a pararem com o hábito de vez. Já foram realizados vários estudos que comprovam a dificuldade em concluir a remissão ao cigarro, um processo no qual as pessoas passam por várias fases, como a de conhecimento quanto aos prejuízos que podem ser causados e a decisão; a procura de ajuda profissional e dos familiares e a manutenção quanto às recaídas, talvez a parte mais difícil. Uma das grandes barreiras para superarmos esse problema é a visão limitada que temos a respeito do uso do tabaco em geral. O vício de fumar é uma doença crônica que desenvolve outros males no organismo e que deve ser tratado da mesma forma que a hipertensão arterial, diabetes e colesterol. Felizmente, hoje temos uma gama de profissionais muito bem capacitada para atender a essa demanda social, mas o total dos que procuram auxílio médico e terapêutico multidisciplinar é de apenas 5%. O tratamento do fumante é uma prática recente em todo mundo. A cada ano, surgem novos tratamentos e medicamentos que repõem a nicotina no organismo, diminuindo a dependência, seja por meio de adesivos, spray, goma de mascar ou outros métodos existentes. O mais importante é o fumante entender como o fumo provoca males em seu organismo e o que fazer para, paulatinamente, parar com esse hábito tão prejudicial, tanto para a sua saúde como para a das pessoas que o rodeiam, seus amigos e familiares.
Edra Domingues P. de Oliveira é médica oncologista da Oncocamp, especializada em tratamento de tumores de Campinas (SP)