Pai Helinho que se cuide. O amor de Tancinha, a personagem de Vanessa Gerbelli em Da Cor do Pecado, não vai se entregar de corpo e alma para sempre. “Ela começa a sentir falta do Febrônio quando ele desencarnar”, avisa a atriz. “É bom para dar uma balançada no casal.” Falando assim, ela parece até estar num núcleo paradão, na novela de João Emanuel Carneiro. Mas isso não é verdade. Tancinha e Pai Helinho – chamado por ela de Pai Amor –, vivido por Matheus Nachtergaele, estão no centro da comédia.
“Não sei se ela é a personagem mais engraçada da minha carreira na TV. A Lindinha de O Cravo e a Rosa também era cômica. Tinha aquele sotaque pesado, era toda suja e tinha uma parceria legal com o Taumaturgo Ferreira (que vivia Januário)”, lembra a atriz, de 30 anos, que teve, na trama de Walcyr Carrasco, sua estréia na televisão. “Nunca tinha visto uma câmera na vida”, admite. De cara, Vanessa emplacou. “A novela pode não ter tido tanta repercussão com o público, como Mulheres Apaixonadas, mas na emissora foi bom. Fui contratada”, conta ela, que começou a fazer teatro na escola.
Paulistana, na época de O Cravo, Vanessa se mudou para o Rio. Chegou a voltar para São Paulo, mas acabou ficando aqui por conta de outros convites. “Vim há quatro anos, casei no Rio. Mas tenho rotina de paulista. Não vou à praia, não ando de bicicleta. Não tenho costume. Pode ser que quando tiver filhos isso mude. Quando estou em São Paulo me sinto em casa. Ali é minha praia”, brinca a atriz. “Mas o Rio é o lugar mais lindo que eu já vi”, derrete-se a atriz, que virou símbolo da luta contra a violência na cidade em Mulheres Apaixonadas.
Apesar das imagens fortes de Fernanda baleada nas ruas do Leblon, Vanessa jura que grande parte do público já esqueceu a personagem. “Depois de um mês como Tancinha, as pessoas pararam de me chamar pelo nome da outra”, garante a atriz, que não nega: “Mulheres Apaixonadas foi um divisor de águas na minha carreira.”
Agora o momento é de Tancinha, a apaixonada por espíritos desencarnados. Para viver a maranhense, Vanessa deixa de lado a experiência que teve em centros espíritas, onde já viu pessoas incorporando. “Não gosto de brincar com essas coisas. É preciso respeito”, acredita a atriz, acostumada a essas situações do além. “É muito doido isso. Todas as minhas personagens falam de morte. Em Kubanacan, a guerrilheira que eu fiz também morreu. Tancinha é apaixonada pelos defuntos e Fernanda voltava para falar com a filha”, enumera.
De visual novo, com cabelos curtos e nariz diferente – depois que se submeteu a uma plástica –, Vanessa brinca por acharem que ela colocou silicone nos seios. “Isso é obra da figurinista Gogóia Sampaio”, diz, referindo-se ao enchimento na roupa que usa para Tancinha. E minimiza as mudanças no rosto. “Fiz plástica no nariz por causa do trabalho. Senti que poderia melhorar esteticamente. Foi apenas um retoque, para tirar o excesso de cartilagem”, resume.