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Kátia Flávia
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Pergunta do Domingão Do Huck escondia pegadinha que quase ninguém percebeu

Questão que fez Osvaldo parar no Quem Quer Ser um Milionário citava satélites que marcaram a história do Brasil; entenda por que a resposta confundiu até o gabarito

Kátia Flávia

04/05/2026 11h00

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Luciano Huck | Reprodução

Saí do Cosme Velho ainda com o remorso do cafe pesando na consciência, academia no Leblon na cabeça, porque segunda-feira promete e eu comi como se o mundo fosse acabar. Foi no meio dessa corrida atrás do meu próprio prejuízo que o telefone não parou mais, com gente me mandando o mesmo vídeo do Domingão. Osvaldo Luiz de Araújo, participante do Quem Quer Ser um Milionário?, tinha parado diante de uma pergunta sobre satélites brasileiros, e metade do Brasil jurando que sabia a resposta estava, na prática, tão perdida quanto ele.

A questão era a seguinte: qual foi o primeiro satélite brasileiro lançado ao espaço? As opções eram Amazônia-1, Brasilsat A1, CBERS-1 e SCD-1. A resposta correta era o SCD-1, lançado em fevereiro de 1993 a bordo do foguete Pegasus e considerado pelo INPE o primeiro satélite desenvolvido integralmente no Brasil. O problema é que as outras três alternativas também tinham peso histórico de sobra, o que transformava a questão numa armadilha de precisão, não de memória.

O Brasilsat A1, de 1985, foi o primeiro satélite brasileiro de comunicação, fabricado no Canadá. O CBERS-1 inaugurou o programa de cooperação entre Brasil e China em sensoriamento remoto. O Amazônia-1, lançado em 2021, foi apresentado como o primeiro satélite de observação totalmente projetado, integrado e operado pelo Brasil. A pergunta não queria saber “qual satélite brasileiro”, ela queria saber exatamente qual tipo de “primeiro” estava sendo cobrado, e esse detalhe ficou de fora do enunciado.

A confusão chegou até o Gshow, que publicou o gabarito com a lista indicando SCD-1 como letra D, mas na explicação da resposta afirmou que “a resposta seria letra C”, que na mesma lista correspondia ao CBERS-1. No palco, Osvaldo chegou a cogitar o Amazônia-1, foi freado pela esposa com um seco “parar, está ótimo” e deixou o quadro com R$ 150 mil no bolso. Se tivesse ido, teria errado e voltado para casa com bem menos.

A esposa salvou o patrimônio da família, e a pergunta salvou o domingo da internet. Porque no fundo, o que o Domingão entregou não foi um episódio de quiz, foi uma aula rápida de que ciência brasileira tem mais marcos do que a maioria lembra, e que banca de concurso e produção de programa de TV às vezes erram o gabarito antes do candidato.

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