O episódio em que Neymar agrediu Robinho Júnior num treino do Santos neste domingo continua rendendo boa discussão nas redes sociais. Num trabalho em campo reduzido, o garoto partiu para cima, deu um drible no camisa 10 e ouviu o pedido para “maneirar”. Não maneirou. Veio a reação: rasteira, discussão, empurra-empurra e, segundo relatos, até um tapa. Depois, Neymar pediu desculpas e o assunto foi tratado internamente.
A cena pode até parecer isolada para quem chegou agora, mas não é. Em 2019, na Granja Comary, durante a preparação da Seleção Brasileira para a Copa América, Neymar teve atitude muito parecida. O jovem Weverton, chamado apenas para completar o treino, aplicou uma caneta. Neymar não gostou, segurou o garoto e o derrubou. O clima pesou na hora e a repercussão foi imediata.
O contraste está no histórico do próprio Neymar. Durante anos, ele construiu sua imagem justamente em cima de jogadas que expõem o adversário. Caneta, chapéu, carretilha – muitas vezes mais para constranger do que apenas para superar. Sempre foi parte do espetáculo, sempre tratado como ousadia, sempre aplaudido.
Quando o roteiro se inverte, a reação muda junto. O que ele sempre fez passa a ser visto como desrespeito quando acontece contra ele. A régua deixa de ser a mesma.

E há um detalhe que amplia o peso da cena. O garoto não é apenas mais um da base. Lá em Tremembé, no interior de São Paulo, dificilmente a notícia passou despercebida. Não deve ter sido nada agradável para Robinho saber que o filho, dentro de um treino, acabou levando uma tapa na cara.
Nenhum pai fica feliz com isso.