Aos 86 anos, morreu ontem no Rio de Janeiro a cantora Carmen Costa. Ela havia sido internada terça-feira no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e faleceu, no início da manhã da quarta-feira, em virtude de insuficiência renal e parada cardíaca.
Carmen nasceu em 5 de janeiro de 1920 em Trajano de Moraes, no interior do Rio de Janeiro, e se chamava, na vida real, Carmelita Madriaga Koethler. Descoberta pelo cantor Francisco Alves, para quem trabalhou como empregada doméstica, ela foi aos poucos revelando seu talento e fez parte do grupo de cantoras da chamada época de ouro da Rádio Nacional ao lado de Emilinha Borba, Marlene e das Irmãs Batista (Linda e Dircinha).
Carmen chegou ao Rio de Janeiro aos 15 anos de idade, época a partir da qual se empregou com Francisco Alves. Tão logo ele percebeu seu talento, abriu-lhe caminhos para ser mais conhecida. Foi quando Carmen começou a fazer coros em gravações de nomes famosos da MPB e a freqüentar os programas de calouros.
Em 1937, por sugestão do compositor Henricão – com quem formou uma dupla que se apresentava em várias feiras pelo País –, ela adotou o nome Carmen Costa. A carreira solo viria cinco anos depois, quando, pela RCA Victor, ela gravou a valsa Está Chegando a Hora, versão feita por Henricão e Rubens Campos de uma música mexicana (Cielito Lindo), que estourou no Carnaval daquele ano e foi sucesso em todos os carnavais seguintes.
Logo a seguir, veio a gravação de Xamego, de Luiz Gonzaga. Detalhe: Carmen Costa foi uma das primeiras cantoras a gravar uma obra do compositor pernambucano. A partir de 1954, baixou os tons de suas músicas e adotou um estilo coloquial de interpretação.
Ainda no estilo carnavalesco, foi convidada a participar de alguns filmes e lançou outro sucesso que se tornou eterno: Cachaça (Mirabeau/ H. Lobato/ L. Castro/ Marinósio Filho). Além desse, teve outros êxitos com Marambaia / Só Vendo que Beleza (Henricão/Rubens Campos), que Elis Regina também gravou, muitos anos depois: Jarro da Saudade (Mirabeau/ G. Blota/ D. Barbosa); Quase (Mirabeau/ Jorge Gonçalves); e ainda a emblemática Eu Sou a Outra (Ricardo Galeno), também presente no repertório de Maria Bethânia na década de 70.
Em 1962, Carmen foi mais longe, marcando presença no lendário concerto de bossa nova no Carneggie Hall, em Los Angeles, EUA. Nessa época, dividiu-se entre o Brasil e os Estados Unidos. Depois que voltou definitivamente ao Brasil, gravou outros discos e fez shows por todo o País.
Discografia
– Tantos Caminhos (1996) – CD
– Benditos, Hinos e Ladainhas (1983) – Vinil
– Agnaldo Timóteo & Carmen Costa – Na Galeria do Amor (1981) – Vinil
– Carmen Costa (1980) – Vinil
– A Música de Paulo Vanzolini – Carmen Costa e Paulo Marques (1974) – Vinil
– Trinta Anos Depois (1973) – Vinil
– Ziriguidum no Sambão (1971) – Vinil
– Embaixatriz do Samba (1964) – Vinil
– Carmen Costa Nº 2 (1957) – Vinil