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A vida de Ray Charles em cores vivas

Arquivo Geral

04/02/2005 0h00

Junte música de boa qualidade a uma história humana ímpar. Acrescente uma caracterização digna do Oscar e uma direção firme. Pronto. O sucesso está garantido. Essa receita é seguida à risca pelo diretor Taylor Hackford em Ray, a biografia do cantor, pianista e compositor Ray Charles (1930-2004), um dos gênios da música, em cartaz na cidade (veja Roteiro).

Em geral, filmes em que o biografado ou sua família têm participação são “água-com-açúcar”. Ray não é. Apesar de contar com a colaboração do próprio Ray Charles quando vivo e de ser co-produzido pelo primogênito do músico, Ray Charles Robinson Jr, o filme não poupa o cantor um único segundo. Seus dramas, como o vício em heroína e a culpa que carregava desde um incidente na infância, pouco antes de perder a visão, são mostrados em detalhes.

O mesmo ocorre em relação aos amores de Ray Charles. Os relacionamentos com as cantoras Della Bea Robinson (Kerry Washington), com quem se casou, Margie Hendricks (Regina King) e Mary Ann Fisher (Aunjanue Ellis), duas de suas amantes mais conhecidas, são esquadrinhados na fita, que mostra ainda o distanciamento de Ray Charles da família e a complicada relação com os amigos.

Ray é um passeio de pouco mais de 30 anos na vida do músico. Começa em sua infância pobre e praticamente termina quando, em meados da década de 60, ele se livra do vício em heroína, depois de um sofrido tratamento. Daí em diante, o filme mostra suas conquistas e uma volta por cima, quando, em 1979, ele é recebido de volta na Georgia – de onde fora banido após recusar-se a fazer um show que separaria brancos dos negros, como era costume. Na ocasião, a música Georgia on my Mind passou a ser considerada oficialmente a canção do estado.

Além da história bem-contada, da seleção musical quase perfeita (faltou Ruby, uma pérola do repertório de Ray Charles) e da direção firme, o filme tem um destaque a mais: o fabuloso desempenho de Jamie Foxx, que vive o personagem-título. Foxx não representou Ray Charles; ele incorporou o humor, o sorriso, a maneira de tocar (o ator não teve dublês nas cenas onde está ao piano), o jeito de andar do músico americano e até sua cegueira, já que usava próteses durante as filmagens que o deixavam sem enxergar por 14 horas diárias. Brilham ainda os desempenhos de Regina King, a amante que morre de overdose (Ray Charles se recusou a iniciá-la na heroína), e de Kerry Washington, que vive uma esposa contida, mas desesperada por ver o marido distante do lar.

Ray é um filme imperdível. Vale cada centavo do ingresso. Mas poupe algum para o CD, que você vai querer comprar depois de assistir ao filme.

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    04/02/2005 0h00

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    Em geral, filmes em que o biografado ou sua família têm participação são “água-com-açúcar”. Ray não é. Apesar de contar com a colaboração do próprio Ray Charles quando vivo e de ser co-produzido pelo primogênito do músico, Ray Charles Robinson Jr, o filme não poupa o cantor um único segundo. Seus dramas, como o vício em heroína e a culpa que carregava desde um incidente na infância, pouco antes de perder a visão, são mostrados em detalhes.

    O mesmo ocorre em relação aos amores de Ray Charles. Os relacionamentos com as cantoras Della Bea Robinson (Kerry Washington), com quem se casou, Margie Hendricks (Regina King) e Mary Ann Fisher (Aunjanue Ellis), duas de suas amantes mais conhecidas, são esquadrinhados na fita, que mostra ainda o distanciamento de Ray Charles da família e a complicada relação com os amigos.

    Ray é um passeio de pouco mais de 30 anos na vida do músico. Começa em sua infância pobre e praticamente termina quando, em meados da década de 60, ele se livra do vício em heroína, depois de um sofrido tratamento. Daí em diante, o filme mostra suas conquistas e uma volta por cima, quando, em 1979, ele é recebido de volta na Georgia – de onde fora banido após recusar-se a fazer um show que separaria brancos dos negros, como era costume. Na ocasião, a música Georgia on my Mind passou a ser considerada oficialmente a canção do estado.

    Além da história bem-contada, da seleção musical quase perfeita (faltou Ruby, uma pérola do repertório de Ray Charles) e da direção firme, o filme tem um destaque a mais: o fabuloso desempenho de Jamie Foxx, que vive o personagem-título. Foxx não representou Ray Charles; ele incorporou o humor, o sorriso, a maneira de tocar (o ator não teve dublês nas cenas onde está ao piano), o jeito de andar do músico americano e até sua cegueira, já que usava próteses durante as filmagens que o deixavam sem enxergar por 14 horas diárias. Brilham ainda os desempenhos de Regina King, a amante que morre de overdose (Ray Charles se recusou a iniciá-la na heroína), e de Kerry Washington, que vive uma esposa contida, mas desesperada por ver o marido distante do lar.

    Ray é um filme imperdível. Vale cada centavo do ingresso. Mas poupe algum para o CD, que você vai querer comprar depois de assistir ao filme.

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