Elas são cachorras, sabem disso, e estão fazendo sucesso. O apelido pegou na TV e nas ruas. Na semana que vem, Tina (Karina Bacchi), em Da Cor do Pecado, que está grávida e não sabe quem é o pai, diz a Mamuska (Rosi Campos): “Toda mulher tem um lado cachorra”.
Como se não bastasse, em Celebridade, Laura (Cláudia Abreu) adora quando Marcos (Márcio Garcia) a chama pelo delicado apelido. Cláudia Abreu pôs mais lenha na fogueira. Ao receber a um prêmio de Melhor Atriz por sua personagem, disse: “A cachorra agradece”.
Não é de hoje que o apelido está relacionado às mulheres. Em 1982, Eduardo Dussek cantava o Rock da Cachorra. “Toda mulher tem uma cachorrona dentro de si, sim!”, brinca o cantor, que adora quando as fãs latem para ele nos shows.
O Bonde do Tigrão, que fez sucesso com o refrão “Só as cachorras!”, da música O Baile Todo, em 2000, acaba de lançar uma canção. O tema? Novamente, as cadelas.
“Agora a música se chama Deixa a Cachorra Passar e é uma resposta bem-humorada à canção de Kelly Key, em que ela chama os homens de cachorrinhos”, diz o vocalista Leandrinho.
E quem na noite nunca ouviu uma piadinha com a tal alcunha, que atire o primeiro osso. Que o digam os telespectadores cariocas das novelas da Globo, como a estudante Flávia Mello: “Os garotos latiam quando meninas mais saidinhas passavam por eles na boate, como sinal de algo muito bom que viam”.
Já o psicólogo Fernando Scarpa não vê graça no apelido: “As mulheres têm instintos como os animais, mas chamá-las assim é pejorativo”. E Ana Kramer, dona de um canil também no Rio de Janeiro, diz que as cadelas de rua são as mais cachorras. “No cio, elas cruzam com quantos machos aparecerem na frente”, explica a especialista. O mundo animal é um capítulo à parte. No humano, parece, estão desvalorizando a mulher.