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Política & Poder

Procurador que chamou salário de R$ 24 mil de ‘miserê’ disse estar sofrendo ofensas e perseguições

Leonardo Azeredo lamentou, também, o “linchamento moral” supostamente praticado pela sociedade. Em áudio, ele pergunta de que forma viveria com R$ 24 mil

Willian Matos

Publicado

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O procurador Leonardo Azeredo, que teve o nome viralizado após uma declaração a respeito de seu salário vir à tona, emitiu um comunicado na última quinta-feira (12) acerca de toda polêmica. Um áudio no qual Azeredo chama o provento de R$ 24 mil de ‘miserê’ bombou na internet na última segunda (9).

Na nota, Azeredo afirma que nunca quis comparar a remuneração dele com a de outros brasileiros, e que a intenção era expor a situação que colegas de trabalho viveriam após o término de pagamento de verbas sem atraso. O procurador também disse que sofreu “execração pública, ataques, ofensas e perseguições”, julgando impróprio o “linchamento moral” supostamente praticado pela sociedade.

O caso 

Azeredo fez um verdadeiro desabafo durante uma reunião que discutia proposta orçamentária do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para 2020, após o procurador-geral de Justiça em Minas, Antônio Sérgio Tonet, informar que, caso o estado assine o acordo de recuperação fiscal com o governo federal, não será concedido qualquer reajuste salarial, mesmo que haja aumento dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Leonardo, então, disse: “Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil? O que é que de fato vamos fazer para melhorar a nossa remuneração? Ou nós vamos ficar quietos? Eu não sei se vou receber a mais, se vai ter algum recálculo dos atrasados que possa me salvar, salvar a minha pele. Eu, de qualquer forma, já estou baixando meu padrão de vida bruscamente”.

“Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou gastando R$ 8 mil. Pra poder viver com os R$ 24 mil. Eu e vários outros já estamos vivendo à base de comprimido, à base de antidepressivo. Estou falando assim com dois comprimidos de sertralina por dia, e ainda estou falando deste jeito. Se não tomasse, ia ser pior do que Ronaldinho”, afirmou Azeredo.

Segundo o Portal da Transparência, de janeiro a julho deste ano, a média recebida pelo procurador foi de R$ 60 mil líquidos.

Confira a nota completa do procurador Leonardo Azeredo:

“Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça,

Doutor ANTÔNIO SÉRGIO TONET,

Dirijo-me a Vossa Excelência, muito respeitosamente, a propósito das repercussões havidas na imprensa a partir de manifestação oral por mim produzida, no âmbito da reunião da Egrégia Câmara de Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, quando da discussão da proposta orçamentária institucional para o próximo ano, a fim de oferecer, não só a Vossa Excelência, mas a todos os pares e, sobretudo e em primeiro lugar, ao povo mineiro, os seguintes esclarecimentos:

Sou membro do Ministério Público do Estado de Minas Gerais há quase trinta anos, exercendo as minhas nobres funções com muito orgulho, satisfação e dedicação, vocacionado que sou para as atribuições que a Constituição Federal conferiu à Instituição.

Tenho procurado manter-me fiel aos ideais democráticos que regem a atuação ministerial, sempre respeitando a pluralidade que permeia a nossa sociedade, ouvindo atentamente os seus anseios e clamores por justiça.

Não tenho outra razão de ser em minha atividade funcional que não a de zelar pelos interesses de todos os mineiros, fazer cumprir a lei e valer os princípios republicanos da impessoalidade, eficiência e transparência.


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