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Procurador de MG dá declaração inusitada em sessão: “Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil?”

Afirmando que toma remédios antidepressivos para contornar o “baixo salário”, Leonardo Azeredo reclama de “miserê” e exige que salário seja aumentado

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Foto: Reprodução
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Willian Matos
redacao@grupojbr.com

Durante uma sessão da Câmara de Procuradores do Ministério Público de Minas Gerais, o procurador Leonardo Azeredo dos Santos deu uma declaração inusitada. Enquanto discutiam o orçamento proposto para 2020, ele disse: “O senhor me desculpe o desabafo, eu estou fazendo a minha parte. Eu estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 [mil], para poder viver com os meus R$ 24 mil”.

Azeredo começou a perguntar sobre aumento de salários dos membros do MPMG no ano que vem. Ele questionou o procurador-geral da Justiça, Antônio Sérgio Tonet, sobre soluções que estariam sendo pensadas para garantir pagamento de “qualquer tipo de vantagem, quando passarem a receber o “salário verdadeiro”, com o fim de pagamentos retroativos.


“Como é que o cara vai viver com R$ 24 mil? O que é que de fato vamos fazer para melhorar a nossa remuneração? Ou nós vamos ficar quietos? Eu não sei se vou receber a mais, se vai ter algum recálculo dos atrasados que possa me salvar, salvar a minha pele. Eu, de qualquer forma, já estou baixando meu padrão de vida bruscamente, mas eu vou sobreviver”, afirmou.

O procurador segue desabafando. Ele confessa que “não tem origem humilde” e não está “acostumado com tanta limitação”. Diz, ainda, que, entre seus gastos, estão R$ 4.500 em condomínio e IPTU. “Eu quero saber se nós, ano que vem, vamos continuar nessa situação, ou se Vossa Excelência já planeja alguma coisa dentro da sua criatividade para melhorar a nossa situação. Ou se nós vamos ficar nesse miserê aí, ainda sob ameaça de não termos aumento“, questiona ele a Tonet.

“Eu estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos de sertralina [medicamento antidepressivo] por dia. Eu tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito aqui. Você imagina se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. Alguma coisa tem que ser feita”.

Azeredo segue se mostrando consternado com o valor. “Será que estou pedindo muito, para o cargo que eu ocupo? Será que o meu cargo não merece ter uma remuneração que eu possa pagar o colégio dos meus filhos, por exemplo?”. O valor de R$ 24 mil citado por ele é uma média dos salários no Ministério Público de Minas Gerais.

Segundo o portal da transparência do MPMG, em julho, Azeredo recebeu bruto R$ 35.462, 22 e o líquido, após descontos, foi de R$ 23.803,50. As indenizações ficaram em R$ 9.008,30 e as remunerações retroativas/temporárias foram de R$ 32.341,19.

Segundo profissionais que acompanham a estrutura do Ministério Público e falaram na condição de anonimato, o ganho total mensal vem da soma do rendimento líquido com as indenizações e as remunerações retroativas/temporárias.

Por meio de nota, o MPMG classificou a manifestação do procurador como sendo de “cunho pessoal”. A instituição ressaltou que não há nenhum projeto visando adoção de benefícios para a carreira dos membros ou de servidores, em virtude da crise financeira do estado e da lei de responsabilidade fiscal. Com informações da Folhapress


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