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Política & Poder

Bolsonaro xinga Lula de ‘canalha’ e quer demitir presidente dos Correios

Sobre o presidente dos Correios, Bolsonaro o acusou de ter comportamento ‘sindicalista’

Da redação
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Ao final de um café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que vai demitir o presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha. A justificativa é que ele teria “comportamento de sindicalista”.

Bolsonaro não gostou da postura do general durante audiência pública na Câmara. Juarez tirou foto com parlamentares de esquerda e disse que não haverá privatização dos Correios, como é planejado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Ainda não se sabe quem substituirá o general após a exoneração.

Lula

Bolsonaro criticou a atitude de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que levaram a julgamento um habeas corpus preventivo que poderá dar margem a questionamentos de todas as condenações avalizadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), inclusive a prisão do ex-presidente Lula.

Após chamar Lula de ‘canalha’, o presidente se mostra incomodado com o fato de Lula poder falar com a imprensa. “Até onde eu saiba, presidiário só presta depoimento, não dá entrevista”, disse Bolsonaro.

Santos Cruz

O presidente anunciou que quer trocar o comando dos Correios um dia depois de demitir o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo. Segundo Bolsonaro, a decisão de tirá-lo do governo foi “constrangimento para os dois”, mas comparou o episódio a uma relação conjugal ao dizer que houve uma “separação amigável”.

De acordo com Bolsonaro, a saída de Santos Cruz não se deveu a nenhum episódio específico, mas o presidente disse de forma genérica que “alguns problemas aconteceram”. “Não houve gota d’água”, afirmou. Ele disse ainda que existe um grande companheirismo com Santos Cruz, quem conheceu ainda na década de 1980.

O cargo será assumido pelo general Luiz Eduardo Ramos, a quem Bolsonaro elogiou como alguém que tem “bom relacionamento com a imprensa”. Ramos deve assumir após algumas mudanças pontuais na pasta.

Hackers

O presidente Jair Bolsonaro disse que não mudou seus hábitos após as notícias de ataques de hackers em celulares de procuradores, delegados da Polícia Federal e juízes. Segundo ele, a única forma de ter 100% de segurança é por meio de conversas pessoais.

“Sigo agindo da mesma maneira. Não tenho nada a esconder”, afirmou nesta sexta-feira, 14, durante café com jornalistas ao ser questionado se continuava a usar o aplicativo WhatsApp. O jornal O Estado de S. Paulo foi um dos convidados do encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto.

O presidente disse que não usa o celular criptografado fornecido pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“Se há um telefone grampeado, este é o meu”, disse Bolsonaro.

O general Augusto Heleno, do GSI, afirmou que todos os ministros receberam no início do ano o aparelho com criptografia, mas que ele é muito “incômodo” de utilizar, já que só funciona com aqueles que têm o mesmo programa instalado no celular.

Segundo Heleno, a maioria dos ministros usa durante uma semana e acaba desistindo.

Filho

O presidente também disse durante o café que o “ímpeto” de seu filho Carlos foi contido e que “há mais de dois meses” não há influência dele nas “mídias digitais”. Vereador pelo PSL no Rio de Janeiro, Carlos cuidava das contas de Bolsonaro nas redes sociais durante a campanha e seguiu administrando a comunicação do pai após a posse como presidente

“Uma palavra nossa mexe com a Bolsa, com a vida das pessoas, com a relação internacional. Ele entende isso aí”, afirmou o presidente.

Segundo Bolsonaro, Carlos tem “feeling”, mas nem sempre está correto. Ele afirmou que escuta o filho, mas “não segue tudo o que ele diz”.

“Tenho três filhos que converso. Os outros são novos. Carlos é o filho que dou atenção especial, não nego”, disse o presidente. “Ele levantou alguns problemas e eu disse a ele que é preciso dar um tempo ao dar o cartão vermelho (a alguém). Para não ter dúvidas, é preciso deixar a pessoa se enrolar”, afirmou o presidente da República, sem especificar quais problemas foram identificados pelo filho e quando o episódio ocorreu.

Carlos teve desentendimentos públicos com o ex-ministro Gustavo Bebianno, que acabou demitido da Secretaria-geral da Presidência Também chegou a usar as redes sociais para criticar o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido na quinta-feira por Bolsonaro da Secretaria de Governo.

O presidente negou, porém, que Carlos tenha tido influência na demissão do general. “Nada a ver. Há quanto tempo meu filho está sem tuitar?”, disse.

Bolsonaro afirmou que as opiniões do ideólogo Olavo de Carvalho também não pesaram para a saída do general do cargo. Como Carlos, Olavo desferiu ataques a Santos Cruz nas redes sociais.

O presidente disse que esteve neste ano apenas duas vezes com o professor, que mora nos Estados Unidos.

Segundo ele, Olavo “teve seu papel lá atrás” e que acolhe as boas ideias de “qualquer um”.

Estadão Conteúdo

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