Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal mostram que mais de 80% dos adolescentes consomem ultraprocessados e quase 30% apresentam excesso de peso. Entre crianças de 5 a 10 anos, 25% estão acima do peso ideal, enquanto entre as de 2 a 5 anos o índice chega a 9,63%.
As informações fazem parte do mais recente boletim epidemiológico sobre obesidade infantil no DF, que também relaciona hábitos alimentares ao aumento do excesso de peso. O consumo de ultraprocessados aparece em 78% das crianças de 2 a 5 anos e em 83% das de 5 a 10 anos.
Nesta quarta-feira (3), quando é celebrado o Dia de Conscientização da Obesidade Infantil, profissionais da área chamam atenção para a mudança de hábitos e para o avanço dos casos. A endocrinologista pediátrica do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão arterial (Cedoh), Emanuelle Marques, afirmou que muitos pais ainda acreditam que filhos acima do peso vão emagrecer naturalmente com o crescimento, mas que esse cenário não tem sido observado.
A especialista disse ainda que têm crescido os atendimentos de pré-adolescentes e adolescentes com diabetes tipo 2, além de colesterol e triglicerídeos alterados. Segundo ela, os ultraprocessados contribuem para o aumento de peso e é indicada ao menos uma hora de atividade física por dia para crianças e adolescentes.
A nutricionista do Cedoh, Camila Pessoa, destacou que o tratamento da obesidade infantil envolve quatro pilares: relacionamentos saudáveis, atividade física, sono e alimentação saudável. Ela também ressaltou a importância do envolvimento da família e de uma equipe multiprofissional no acompanhamento.
“A gente trata não só a criança ou adolescente, mas toda a família. Temos que cuidar dessa família, que são os apoiadores dessa criança, porque é a família que vai comprar os alimentos, vai levar a uma atividade física. Então, mobilizamos toda essa família no cuidado da obesidade infantil”, disse.
Enzo Mendes, de 11 anos, faz acompanhamento no Cedoh desde 2022. O pré-adolescente afirmou que a mudança exigiu adaptação, mas trouxe resultados. “Eu me sinto muito bem. Eu estou emagrecendo e fazendo atividade física, mas foi muito difícil mudar a alimentação”, contou.
A orientação, caso os pais percebam aumento de peso em crianças e adolescentes, é procurar a Unidade Básica de Saúde. No local, os profissionais avaliam altura e peso e, se necessário, dão andamento a exames, encaminhamentos e acompanhamento com nutricionista, psicólogo e endocrinologista.