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Saúde

Ministério da Saúde investe R$ 12 milhões contra Doença de Chagas

Recurso fortalece vigilância em 155 municípios prioritários de 17 estados, com aumento de 130% na testagem.

Redação Jornal de Brasília

14/04/2026 22h54

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Identificação de barbeiros (vetores do parasita ‘Trypanosoma cruzi’, causador da doença de chagas) é feita na unidade | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (14), Dia Mundial da Doença de Chagas, o investimento de R$ 12 milhões para fortalecer as ações de vigilância e controle da doença em 17 estados do país. O repasse beneficia 155 municípios prioritários, apoiando atividades como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.

“Não podemos esquecer que se trata de uma doença relevante, que já ultrapassou fronteiras e hoje também está presente no sul dos Estados Unidos, o que amplia a preocupação em nível global. Felizmente, o Brasil tem avançado de forma consistente no enfrentamento da doença. Houve um aumento de 130% na testagem para Chagas, fortalecendo a detecção precoce e ampliando as oportunidades de cuidado oportuno para a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, foram reconhecidos os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença. O evento inclui apresentações de pesquisas, iniciativas de vigilância e uma exposição educativa sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas.

“A Doença de Chagas ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social e presença de vetores. Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, destacou a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

A seleção dos municípios considerou critérios técnicos, como interação dos insetos vetores com o ambiente, vulnerabilidade social, risco “muito alto” em índice composto e registro recente do vetor Triatoma infestans. Prioridade foi dada a localidades com alta e muito alta prioridade para a forma crônica, concentradas no Nordeste e Sudeste.

Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde lançou a fase 2 do projeto “Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas (STCC-2)”, com investimento de R$ 8,6 milhões. A pesquisa avalia a eficácia e segurança do mineral como terapia complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica, podendo subsidiar sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“A doença de Chagas ainda afeta muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Por isso, investir em pesquisas nessa área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos”, enfatizou a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri.

Além disso, a gestão apoia 25 projetos de pesquisa relacionados à doença, com mais de R$ 29,3 milhões investidos, abrangendo estudos em saúde de precisão e enfrentamento à desinformação.

O Brasil ampliou o combate à Doença de Chagas com mais diagnóstico, vigilância e assistência. Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes e medicamentos cresceu mais de 130%. Avanços incluem a retomada do benznidazol pediátrico, ampliação de especialistas no SUS e reforço da vigilância municipal. O país prepara a certificação de cidades pela eliminação da transmissão vertical.

O Programa Brasil Saudável visa eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, focando na redução de transmissões vetorial, oral e vertical, diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS. A iniciativa integra ações de 14 ministérios e prioriza populações vulneráveis, reconhecendo a doença como socialmente determinada, afetando cerca de 1,2 milhão de brasileiros.

Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste, e 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará. Em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, Bahia e Goiás.

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