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Maio Roxo: campanha reforça importância do diagnóstico precoce das Doenças Inflamatórias Intestinais

Análise específica na detecção das Doenças Inflamatórias Intestinais ajuda no sucesso do tratamento das doenças

O mês de maio é marcado pela campanha “Maio Roxo”, período dedicado à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), afetam mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. São consideradas DII a Retocolite Ulcerativa Idiopática (RCUI) e a Doença de Crohn (DC), ambas não têm cura e podem atingir qualquer faixa etária. Entre os exames para o diagnóstico precoce e eficiente, está a dosagem de calprotectina fecal, proteína encontrada no intestino quando há inflamação na região.

De acordo com dados da área de Dados e Analytics da Dasa, foram realizados aproximadamente 75 mil exames desde 2020, com uma taxa média de positividade para doenças inflamatórias intestinais de 27%. Em 2021, o exame de calprotectina fecal passou a fazer parte do rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e, a partir disso, o número de pedidos para os exames também subiu. Para se ter uma ideia, em abril de 2020 foram realizados 778 exames. No mesmo período de 2021, o número subiu para 2.629 e, em abril deste ano, 3 mil pessoas foram submetidas à dosagem de calprotectina fecal.

O exame é realizado para dosar essa proteína nas fezes. “A elevação de calprotectina é um marcador provável de inflamação intestinal, o que auxilia no diagnóstico e acompanhamento das Doenças Inflamatórias Intestinais e na monitorização da resposta ao tratamento”, enfatiza a gastroenterologista e coordenadora do Núcleo Especializado de Doenças Intestinais Complexas (NEDIC), do Hospital Brasília, Zuleica Barrio Bortoli. A elevação da calprotectina fecal também contribui para diferenciar processos inflamatórios da Síndrome do Intestino Irritável (SII) – distúrbio crônico do trato digestivo – que, muitas vezes, é confundida com inflamação.

“A relevância do exame é que se trata de mais uma ferramenta não invasiva que colabora com o diagnóstico das DIIs, representadas pela Doença de Crohn e a Retocolite ulcerativa, auxiliando no diagnóstico precoce dessas doenças e, consequentemente, aumentando as chances de sucesso terapêutico e evitando complicações”, destaca a gastroenterologista Zuleica Bortoli.

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A Doença de Crohn é uma inflamação profunda e extensa que pode acometer qualquer parte do tubo digestivo, desde a boca até a região anal. Já a Retocolite Ulcerativa atinge o intestino grosso (cólons) e o reto. As causas da inflamação ainda não estão esclarecidas. Porém, predisposição genética, associada a fatores ambientais, nutricionais e alterações das populações dos microrganismos que vivem no intestino, pode estar ligada a essas enfermidades.

Segundo a gastroenterologista, em muitos casos o paciente manifesta sintomas bastantes desconfortáveis, mas nem sempre os sinais são claros, fato que pode resultar em uma piora no bem-estar durante anos. “Se existe qualquer suspeita, é preciso que um atendimento médico de qualidade seja priorizado, visando a barrar o desenvolvimento da doença e retomar a qualidade de vida”, destaca a especialista.

Entre os principais sintomas, estão dor abdominal de intensidade variável, sensação de distensão no abdome, febre, perda de peso progressiva, sangue nas fezes e diarreia, principalmente crônica. “Todos esses sinais indicam que o paciente pode ter uma doença intestinal crônica que necessita de avaliação médica especializada”, enfatiza Zuleica.

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O tratamento para as DIIs é baseado no uso de medicamentos que combatem a inflamação. Eles podem ser imunossupressores, anti-inflamatórios e imunobiológicos. Mas de acordo com a especialista, hábitos de vida saudáveis e uma alimentação balanceada contribuem para o melhor controle da doença.

DIIs e vacinação

Segundo a gastroenterologista, o tratamento das doenças inflamatórias intestinais (DII) evoluiu muito nos últimos 20 anos, após a introdução da terapia imunobiológica. Entretanto, o uso de imunobiológicos, associados ou não a imunossupressores (azatioprina, por exemplo), pode aumentar o risco teórico de infecção, o que pode ser minimizado por meio da realização preventiva de vacinas.

“É muito importante que os pacientes recém-diagnosticados com doença inflamatória intestinal sejam informados sobre a necessidade de aderir aos esquemas de vacinação e/ou sobre como proceder em algumas situações específicas de viagem”, alerta a especialista.

A médica explica que, para os pacientes que têm DII, as vacinas do calendário habitual e que fazem parte do grupo das vacinas que não são compostas por vírus vivos poderão ser administradas sem nenhum problema. Entre elas estão a vacina contra a gripe, HPV, hepatites A e B e contra a covid-19.

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