A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) orienta que a lavagem nasal pode ser uma medida de higiene e tratamento das vias aéreas capaz de ajudar a reduzir o agravamento de gripes e resfriados, além de auxiliar na recuperação de infecções respiratórias e quadros alérgicos. A prática, recomendada por sociedades médicas nacionais e internacionais, pode ser realizada desde os primeiros dias de vida até a vida adulta e na terceira idade.
Segundo a médica pediatra Juliana Queiroz, referência distrital em pediatria da SES-DF, a lavagem nasal é uma das principais medidas para higienização e desobstrução das vias aéreas superiores. Ela também pode ser usada em casos de rinites, infecções respiratórias de vias aéreas superiores e, em situações de sangramento nasal leve, após orientação médica.
O procedimento contribui para a limpeza mecânica de muco, crostas e contaminantes do ar. A orientação sobre a posição correta varia conforme a idade da criança: em bebês de até seis meses, é possível deitá-los de costas, com a cabeceira elevada e a cabeça virada para o lado, ou mantê-los sentados no colo; entre seis meses e dois anos, a posição sentada no colo é a recomendada; e, em crianças maiores de dois anos, a lavagem também pode ser feita em pé, com o tronco inclinado para frente e a cabeça rotacionada.
Independentemente da idade, o dispositivo deve ser direcionado lateralmente à narina, com pressão suave e contínua, sem força excessiva, para evitar trauma no septo nasal. A SES-DF informa que o melhor momento para a limpeza é antes das mamadas, antes de dormir ou após o banho. A frequência mais comum nas recomendações clínicas é de duas a três vezes ao dia, e os dispositivos utilizados devem ser higienizados após cada uso e substituídos a cada três meses.
A recomendação é usar soro fisiológico, especialmente a solução isotônica a 0,9%, considerada a mais indicada para crianças. Soluções hipertônicas, a 2% ou 3%, podem causar ardor e irritação da mucosa. Quem optar pelo preparo caseiro deve dissolver nove gramas de cloreto de sódio em um litro de água filtrada e fervida, mantendo a solução na geladeira após o preparo, mas sem aplicá-la gelada.
Há ainda situações em que a lavagem nasal não deve ser feita, como suspeita de corpo estranho, disfagia com risco de aspiração, fissura palatina, defeitos da base do crânio e fraturas de face. Sangramentos ou feridas na região também exigem pausa imediata e avaliação médica. A SES-DF alerta que o excesso de lavagem pode ser prejudicial, por remover a camada de muco responsável pela adesão de partículas e comprometer o transporte mucociliar.