Com a chegada do inverno, que começa oficialmente no Brasil no dia 21 de junho, e a queda das temperaturas em diversas regiões do país, os cuidados com a saúde não devem se limitar apenas à prevenção de gripes e doenças respiratórias. O período também acende um importante alerta para a saúde cardiovascular. Estudos apontam que os meses mais frios estão associados ao aumento da incidência de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e outras complicações relacionadas ao coração.
Dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) mostram que os casos de infarto podem aumentar em até 30% durante o inverno, especialmente quando as temperaturas ficam abaixo de 14°C. Os registros de AVC também podem crescer até 20% nesse período.
Segundo o cardiologista Thiago Germano, o frio provoca uma série de reações fisiológicas que aumentam a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular. “O organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal. Para isso, ocorre a vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse mecanismo eleva a pressão arterial, aumenta o esforço do coração e pode favorecer a ocorrência de infartos e AVCs, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco”, explica.
Além da contração dos vasos sanguíneos, o inverno costuma trazer mudanças de comportamento que também impactam negativamente a saúde cardiovascular. A redução da prática de exercícios físicos, o aumento do consumo de alimentos mais calóricos e a menor ingestão de água contribuem para o ganho de peso, elevação da pressão arterial e aumento do colesterol.
Outro fator de preocupação é o aumento das infecções respiratórias típicas da estação. Gripe, influenza e outras viroses podem desencadear processos inflamatórios no organismo capazes de desestabilizar placas de gordura presentes nas artérias, aumentando o risco de eventos cardiovasculares agudos.
“O coração e o sistema circulatório sofrem impacto direto quando o organismo enfrenta processos infecciosos. Por isso, manter a vacinação em dia e procurar assistência médica diante de sintomas persistentes são medidas importantes de prevenção”, destaca Thiago Germano.
Entre as doenças cardiovasculares que apresentam aumento de incidência ou agravamento durante o inverno estão o infarto agudo do miocárdio, o AVC, a insuficiência cardíaca, as crises hipertensivas e, em menor escala, casos de dissecção da aorta.
Os grupos que merecem atenção especial incluem idosos, hipertensos, diabéticos, fumantes, pessoas com obesidade, pacientes com colesterol elevado e aqueles que já possuem diagnóstico de doença cardiovascular.
“Quem já tem histórico de problemas cardíacos não deve interromper medicamentos nem reduzir o acompanhamento médico durante o inverno. Pelo contrário: essa é uma época em que o controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol se torna ainda mais importante”, alerta o especialista.
Como proteger o coração durante o inverno
De acordo com o cardiologista, algumas medidas simples podem reduzir significativamente os riscos cardiovasculares durante os meses mais frios:
● Manter o uso correto das medicações prescritas;
● Evitar exposição prolongada ao frio intenso;
● Utilizar roupas adequadas para manter o corpo aquecido;
● Manter uma alimentação equilibrada;
● Não abandonar a prática regular de atividades físicas;
● Beber água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede;
● Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia;
● Evitar o tabagismo;
● Manter a vacinação contra gripe e outras doenças respiratórias em dia;
● Realizar consultas periódicas com o cardiologista.
Para Thiago Germano, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. “Muitas pessoas acreditam que o inverno representa risco apenas para o sistema respiratório, mas o coração também sofre os efeitos das baixas temperaturas. Estar atento aos sinais do corpo e manter hábitos saudáveis faz toda a diferença para atravessar essa estação com mais segurança”, conclui.