Menu
Saúde

Fiocruz e UFMG divulgam estudo sobre saúde dos idosos

Levantamento do ELSI-Brasil mostra medo de quedas, alta prevalência de hipertensão e limitações funcionais entre idosos

Redação Jornal de Brasília

27/05/2026 16h08

fiocruz 1

Fernando Frazão/Agência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), uma das pesquisas nacionais mais abrangentes sobre envelhecimento no país. A iniciativa vai disponibilizar, em uma plataforma online, cerca de 100 indicadores sobre a saúde e as condições de vida da população com 60 anos ou mais.

Os dados mostram que fatores urbanos, sociais e estruturais têm papel decisivo na qualidade de vida da população idosa. Entre os indicadores, 42,7% dos idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas. O percentual é maior entre as mulheres, com 50,5%, e entre os homens é de 31,9%. A preocupação também cresce com a idade, chegando a 35,2% entre pessoas de 60 a 69 anos, 47,1% entre 70 e 79 anos e 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais.

A insegurança no entorno também aparece como fator de preocupação. O estudo aponta que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança muito insegura em relação à violência e criminalidade, o que representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas. Segundo os pesquisadores, esse cenário afeta a saúde mental e a circulação social dessa população.

Na área da saúde, a hipertensão arterial sistêmica segue como uma das condições mais relevantes. A aferição domiciliar da pressão arterial identificou que 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com a doença, isto é, pressão igual ou superior a 14 por 9. O percentual corresponde a cerca de 11 milhões de brasileiros e aumenta com a idade: 31,9% entre 60 e 69 anos e 40,1% entre os com 80 anos ou mais. Os pesquisadores destacam a importância do rastreamento regular e do fortalecimento da atenção primária para evitar subdiagnóstico e complicações.

O levantamento também aponta perda de capacidade funcional entre os idosos. Segundo os dados, 20,4% têm dificuldade para realizar ao menos uma atividade básica da vida diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama. Isso equivale a cerca de 6,5 milhões de pessoas. Entre as mulheres, a limitação funcional atinge 23,1%, e entre os homens, 17%. A prevalência sobe de 13,9% entre 60 e 69 anos para 44,2% entre aqueles com 80 anos ou mais.

A rede de apoio para esse grupo também apresenta fragilidades. Entre os idosos com dificuldade para realizar atividades diárias, apenas 37,9% recebem ajuda. Além disso, somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento. Os resultados apontam para a necessidade de políticas estruturadas de cuidado de longa duração, apoio domiciliar e qualificação de cuidadores.

O estudo reforça ainda o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como base de cuidado para a população idosa. Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais dependem exclusivamente do SUS para atenção à saúde, e a Estratégia Saúde da Família (ESF) atende 69,2% dos idosos brasileiros, o que representa cerca de 22,2 milhões de pessoas.

Junto aos resultados, o Elsi-Brasil lançou um painel de indicadores sobre envelhecimento, com acesso público ampliado a informações sobre múltiplas dimensões da velhice no país. A ferramenta foi criada para apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e a sociedade civil no monitoramento das condições de vida e necessidades da população idosa. A plataforma está alinhada à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), da ONU, e adota uma visão ampliada do envelhecimento, que inclui autonomia, capacidade funcional, segurança e condições ambientais como pilares do bem-estar. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado