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Saúde

Especialista orienta sobre riscos do Zika vírus durante a gestação

Arquivo Geral

17/12/2015 9h42

Conhecido pela medicina há mais de 60 anos, o Zika vírus ganhou destaque diante da gravidade das sequelas causadas, principalmente, entre gestantes. Já foram constatados mais de 1761 casos de bebês microcefálicos no país, ultrapassando registros históricos da doença.

A especialista em microbiologia, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia da Universidade Católica (UCB), Paula Andreia Silva, explica que não há muitos estudos e comprovações científicas a cerca dos casos do Zika vírus associado à microcefalia que estão acontecendo no Brasil. “Vários aspectos do desenvolvimento da doença ainda são apenas hipóteses. O momento é de muita cautela para as gestantes e para quem pensa em engravidar”, alerta.

De acordo com a professora, o período crítico para uma infecção ocasionar má formação fetal é o primeiro e o segundo trimestre de gestação. “A infecção nos primeiros três meses pode ser tão grave que leve ao aborto espontâneo do feto. Geralmente, quanto mais cedo acontece a infecção materna maior a probabilidade de causar danos mais graves na criança”.

Acompanhamento para gestantes

A microcefalia é uma consequência da infecção nas células do cérebro que impede o desenvolvimento normal desse órgão e geralmente não existe cura. Maiores conhecimentos sobre o curso dessa anomalia serão adquiridos com o acompanhamento dos casos recentes. Quando diagnosticada a microcefalia, a gestante é acompanhada seguindo os protocolos de gestação de alto risco com exames periódicos da gestante e do feto.

“Geralmente a consequência da microcefalia para o bebê é retardo mental, mas não sabemos ainda como serão esses casos associados à Zika vírus, como o grau de retardo e se haverá outras sequelas associadas. Para a mãe, tem-se percebido um curso de infecção benigna, ou seja, com cura e sem sequelas. Mas esses casos serão acompanhados para confirmação”, enfatizou Paula Silva. 

A especialista diz ainda que a expectativa de vida e as sequelas nos bebês vão depender de alguns fatores como, por exemplo, a idade gestacional que ocorreu a infecção. “O bebê pode viver por poucas horas ou por anos. A microcefalia é uma consequência da infecção nas células do cérebro. Essa infecção impede o desenvolvimento normal desse órgão e geralmente não existe cura. Maiores conhecimentos sobre o curso dessa anomalia serão adquiridos com o acompanhamento dos casos recentes”.

Causas

A única forma de pegar esta doença é sendo picado pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue. No entanto, se um mosquito que não tem o Zika vírus picar uma pessoa que tem, ele é contaminado e começa a passar a doença para outras pessoas através de sua picada. Uma vez que o indivíduo é picado, demora no geral de 3 a 12 dias para o Zika vírus causar sintomas.

Sintomas

Crianças e adultos podem ser contaminados pelo Zika vírus. A infecção pode seguir o curso benigno causando febre, dor de cabeça e exantema na pele, ou pode causar a síndrome de Guillain Barré, que é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso e causa fraqueza muscular, geralmente temporária.

Normalmente o vírus é eliminado do organismo e, no caso das gestantes, não compromete a próxima gravidez. Ainda não existe tratamento específico e, normalmente, é eliminado espontaneamente do organismo após a cura da doença.

Prevenção

Para a professora, a forma mais eficaz de prevenção, ainda é evitar a picada do mosquito. “Para isso, há algumas medidas como uso de repelentes, mosquiteiros, roupas longas, além de evitar regiões com casos da doença e eliminar criadouros do mosquito. Não existe vacina ou tratamento específico para a infecção por Zika vírus. Assim, a prevenção é evitar a picada do mosquito contaminado”.

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