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Saúde

Desinformação sobre HIV amplia preconceito e afasta testagem

Pesquisa internacional aponta que o estigma ainda dificulta o diagnóstico e o início do tratamento, com impacto também no Brasil.

Redação Jornal de Brasília

30/07/2026 16h54

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A falha em combater o estigma social em torno do HIV pode causar cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década, segundo projeção de uma pesquisa internacional de opinião pública realizada pela iniciativa não governamental Tackle HIV. A plataforma afirma que os avanços científicos são históricos, mas que o medo ainda afasta pessoas da testagem e do início do tratamento.

Embora novas infecções por HIV e mortes relacionadas à Aids tenham atingido os menores níveis globais em 2025, para 21 países em três regiões, entre eles o Brasil, o número de casos aumentou. De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, que coleta dados do ano anterior, foram notificados 39.216 casos de infecção pelo HIV no país, com a maioria, 38,4%, na região Sudeste.

A pesquisa da Tackle HIV ouviu 2.006 adultos brasileiros e identificou desinformação sobre formas de transmissão e sobre a vida de pessoas que vivem com HIV. Para 36% dos entrevistados, homens héteros não correm risco de contrair o vírus, crença que se repete para 37% do grupo em relação a mulheres heterossexuais. Apenas 48% disseram já ter feito o teste de HIV, e entre os que cogitaram fazê-lo, a maioria rejeitou a ideia por não se considerar em risco.

Outro dado apontado pelo levantamento é que 19% ainda acreditam que quem vive com HIV não pode manter uma vida sexual ativa. Já 29% sabiam que pessoas sob tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o HIV em relações sexuais.

O tema ganhou destaque no Rio de Janeiro, sede da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, realizada pela primeira vez no Brasil. No contexto das metas da Unaids alinhadas à Agenda 2030, o país já havia alcançado em 2020 a primeira meta 95, com 95% das pessoas vivendo com HIV conhecendo o diagnóstico, e em 2024 atingiu a terceira meta, de supressão da carga viral em 95% das pessoas em tratamento.

Na última terça-feira (28), o governo federal demonstrou interesse na profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, que pode prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses, e estuda a possibilidade de incluir o método de prevenção no SUS.

Com informações da Agência Brasil

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