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Saúde

Campanha pressiona por política nacional de saúde mental climática

Mobilização quer ampliar o debate sobre os impactos emocionais da crise climática e apoiar a criação de uma política nacional em tramitação na Câmara.

Redação Jornal de Brasília

24/06/2026 13h36

janeiro branco saude mental

Foto: Divulgação

A organização Time To Act lançou a campanha Saúde Mental Climática para estimular o debate na sociedade sobre os danos emocionais, psicológicos e comunitários causados pela crise climática. A mobilização também defende a criação de uma política nacional para esse tema por meio do Projeto de Lei 6151/25, em tramitação na Câmara dos Deputados.

A proposta foi apresentada pelos parlamentares Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS). O texto prevê atendimento a comunidades atingidas por riscos e eventos climáticos extremos, com integração entre assistência social, saúde, educação e defesa civil, além de contemplar crianças, idosos, pessoas com deficiência e profissionais da rede.

Pelo projeto, o Sistema Nacional de Saúde Mental Climática também deverá incluir centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades. Os autores ainda atribuem ao sistema a função de divulgar informações científicas sobre o tema e defendem ações de prevenção.

Em entrevista à Agência Brasil, a fundadora da Time To Act, Luciana Brafman, afirmou que episódios como a situação de famílias filipinas após um terremoto e de gaúchos afetados pelas enchentes de 2024 reforçaram sua preocupação com a falta de apoio psicológico em desastres climáticos. Segundo ela, a ideia dos centros surgiu durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), quando exibiu o documentário Memória Radical, codirigido por Ricardo Carioba.

Luciana, que atua como consultora da Organização das Nações Unidas (ONU) em políticas públicas sobre clima, sustentabilidade e bem-estar das comunidades, disse que os impactos das mudanças climáticas atingem de forma mais dura povos originários, quilombolas, população negra, mulheres e moradores de periferias e favelas. Ela também defendeu a necessidade de formar profissionais locais e criticou a descontinuidade do socorro após desastres.

O pedagogo Reinaldo Nascimento, especializado em emergência e trauma, relatou ter observado em crianças atendidas no Rio Grande do Sul comportamentos associados ao estresse vivido nas enchentes, como voltar a chupar o dedo, fazer xixi na cama e temer o som da descarga por associá-lo à chuva. Ele afirmou ainda que denúncias de violência sexual infantil e a perda da sensação de segurança em espaços como as escolas agravaram o cenário.

A campanha e o projeto também destacam o combate à desinformação e ao negacionismo sobre a crise climática. Segundo levantamento da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), 44% dos mais de 5 mil entrevistados demonstraram ceticismo sobre a severidade da crise climática no Brasil. Já pesquisa conduzida por cientistas do Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, da Fundação Oswaldo Cruz (INCT-CPCT/Fiocruz), apontou que 12% dos entrevistados atribuem as mudanças climáticas a causas naturais.

Outro material citado na reportagem, produzido pela Oxfam Brasil, afirma que uma pessoa entre os 0,1% mais ricos do planeta emite mais carbono em um único dia do que uma pessoa entre os 50% mais pobres em um ano inteiro. O texto também menciona uma investigação do coletivo Intervozes sobre desinformação na Amazônia, que relaciona discursos de ódio e ataques a organizações não governamentais em debates socioambientais.

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