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Banho de mangueira, água grátis e leques ajudam foliões a driblar o calor

Na tentativa de baixar a sensação térmica, os foliões recorreram a uma série de estratégias, como receber banho de mangueira de vizinhos

Foto: Cezar Loureiro/Riotur

ALÉXIA SOUSA, STEFHANIE PIOVESAN, MATHEUS DE MOURA, VALENTINE HEROLD E TULIO KRUSE
RIO DE JANEIRO, RJ, SÃO PAULO, SP, E OLINDA, PE (FOLHAPRESS)

O relógio ainda não marcava 10h e a temperatura no Rio de Janeiro já batia os 37ºC neste domingo (11) de Carnaval. Calor forte também foi companheiro de quem saiu para seguir os blocos de rua em São Paulo, que teve máxima de 32ºC.

Na tentativa de baixar a sensação térmica, os foliões recorreram a uma série de estratégias, como receber banho de mangueira de vizinhos solidários, além de inserir o leque como item obrigatório no kit sobrevivência.

“Ele é um enviado de Deus!”, clamava o professor Caio Martins, 30, enquanto se refrescava na água que jorrava de um prédio residencial em uma rua no centro do Rio.

Da janela do segundo andar do edifício, um morador usava uma mangueira para minimizar o dia quente que os foliões do bloco Boi Tolo enfrentavam. “É muito legal ver até quem não está no bloco se encontrando na brincadeira e contribuindo”, disse Martins. “Tem que se hidratar muito, usar roupas leves e sempre procurar uma sombrinha”.
Embaixo da mesma janela, duas meninas diziam “manda mais, por favor”.

No centro do Rio, os foliões faziam fila diante de um homem com um galão nas costas que esguichava água com uma mangueira.

O “regador humano” fazia parte de uma ação promocional e provocava suspiros de alívio aos refrescados.

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Até a “água benta” oferecida por um folião fantasiado de padre fazia sucesso em um bloco no Rio. “Cada gota importa”, disse o motorista Marcelo Damião, 44. “Eu vi o padre e vim correndo para me redimir dos pecados que estou pagando enfrentando esse calor”, brincou.

Vestido de padre, Edson Rocha disse não imaginar que faria tanto sucesso com a ideia que julgou simples. “Uma garrafinha com água e pronto, todo mundo me notou”, disse o folião, que não abre mão da roupa quente para manter a brincadeira.

As irmãs Camila, 22, e Maria Theresa Moreira, 26, aproveitaram a feira da Glória, na zona sul do Rio, para comprar água de cocô e fatias de melancia para manter a hidratação em meio ao bloco do Boi Tolo, que saiu às 7h.

“Estamos desde a concentração. A água que trouxemos acabou, já compramos mais, mas não está sendo suficiente para aguentar esse calor”, disse a estudante Camila, exibindo ainda na cintura o leque que faz parte do que ela chama de kit sobrevivência.

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Em Olinda (PE), o termômetro indicava 31°C, mas a sensação térmica era de 36°C neste domingo. O sobe e desce das ladeiras atrás dos blocos de frevo, tornou as altas temperaturas um desafio ainda mais difícil neste Carnaval. Os foliões, porém, encontraram formas de contornar o calor e fazer a festa continuar.

Fantasiado de saci, Ruan Williams estava acompanhado do filho, Gabriel, 9. Munido de uma pistola de água gelada, o menino se divertia enquanto se refrescava, ao passo que também molhava quem pedia. “Além da pistola, ele está com blusa UV e passei muito protetor. Também estou com uma bomba de água que vamos repondo. Estou achando o Carnaval desse ano muito mais quente que os anteriores! Sem comparação”, afirmou Ruan.

ÁGUA GRÁTIS

Duas empresas de abastecimento distribuíram água grátis aos foliões nos desfiles de megablocos. No Rio, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) montou três pontos com caminhões pipa, nos bairros da Glória, Botafogo e no centro. A água é distribuída em copos descartáveis biodegradáveis.

Marcio Paulino, 57, supervisor do ponto da Glória, no bloco Bangalafumenga, disse que cada caminhão tem por volta de 10 mil litros de água e que, normalmente, cada bloco consome metade desse volume. “A ideia é expandir a iniciativa e com isso também mostrar o trabalho da Cedae”, explicou ele.

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Bruna Lane, 40, que está aproveitando o Carnaval desde os finais de semana anteriores, elogiou a iniciativa. “A água tá R$ 5 a garrafinha, aqui é de graça, tá gelada e fresquinha, sem gosto de cloro.”

Em São Paulo, no complexo de megablocos do parque Ibirapuera, na zona sul, a Sabesp também estacionou um caminhão pipa para distribuir água aos foliões.

Na República, no centro de São Paulo, a prefeitura montou uma tenda para distribuir copos de água aos participantes, que buscavam sombra debaixo das árvores e improvisavam leques para se refrescar. Eram mais de 200 caixas, cada uma com 48 copos em temperatura ambiente. Os terceirizados também andavam entre o público oferecendo gratuitamente.

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“Muitas pessoas não chegam até a tenda, então a gente fica circulando principalmente no meio dos blocos, que é onde as pessoas mais precisam de hidratação”, diz o técnico de informática André de Souza, 45, que foi contratado para o serviço.

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A oferta de água grátis se tornou obrigatória em eventos de grande porte em novembro do ano passado, após Ana Clara Benevides morrer em decorrência de desidratação no show da cantora Taylor Swift, no Rio.

O calorão também fez a procura por atendimento médico aumentar no Ibirapuera neste domingo. Além do mal estar, o consumo de bebida alcoólica foi outro motivo para a busca por assistência.

Mesmo assim, a alta temperatura também foi usada como tema de paquera. “Ainda não funcionou, espero que até mais tarde dê certo”, diz a bartender Larissa Santos, 26, vestida com uma fantasia amarela e uma placa que dizia “já pegou um solzinho hoje?”.






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