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Sapucaí encerrará desfiles com hit e homenagens a Alcione e João Cândido

A rainha de bateria é a estreante Fabíola Andrade, esposa de Rogério Andrade. Ele, que é patrono da escola e apontado como bicheiro

Foto: Reprodução

BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Nesta segunda-feira (12), o último dia de desfiles das escolas de samba do grupo especial na Sapucaí, no Rio de Janeiro, começará com um hit de verão: o samba-enredo “Pede Caju que Dou…Pé de Caju que Dá!”, da Mocidade Independente de Padre Miguel. A música figura como uma das mais tocadas em plataformas digitais e em blocos da cidade.

A obra é assinada por oito compositores, entre eles Paulinho Mocidade e o humorista Marcelo Adnet, e fala do caju. O enredo aborda como o fruto está presente em diferentes momentos da história do Brasil e da construção de sua identidade.

Durante o desfile, a escola irá entregar ao público mais de 500 mudas de caju doadas pela Emprapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

A rainha de bateria é a estreante Fabíola Andrade, esposa de Rogério Andrade. Ele, que é patrono da escola e apontado como bicheiro pela Promotoria, é presença incerta na Sapucaí, já que usa tornozeleira eletrônica e tem de estar em casa a partir das 20h os desfiles começam às 22h.

A segunda escola a entrar na Sapucaí é a Portela, que, após um desfile do centenário com vários erros, em 2023 quando amargou o décimo lugar, tenta o título com enredo baseado no livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves. O romance fictício conta a história de uma mulher chamada Kehinde, que está em busca do filho perdido. A trama é marcada por violência e racismo.

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“A gente procura um pouco exaltar toda a saga dessa personagem tão incrível que vem da Ana Maria, que é uma história fictícia e a gente acaba desenvolvendo também uma ficção em cima dessa história fictícia”, disse o carnavalesco André Rodrigues.

“Também é uma homenagem a todas as outras mães, outras mulheres tão singulares que, por ironia de similaridade com o enredo, perderam seus filhos justamente por serem pessoas que estão em zonas desconfortáveis”, afirmou o também carnavalesco portelense Antônio Gonzaga.

“Mulheres que são pobres, mulheres que estão nas periferias e mulheres também que são mulheres pretas e têm seus filhos negros e, por isso, são açoitadas pela violência do Estado.”

A Unidos de Vila Isabel aposta na reedição de “Gbalá: Uma Viagem ao Templo da Criação”, idealizado pelo carnavalesco Oswaldo Jardim em 1993. A obra é um clássico da escola que tem o samba-enredo assinado por Martinho da Vila.

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Em 1993, a Vila teve que desfilar debaixo de forte chuva e ficou em oitavo lugar. Agora, o enredo está sob o olhar do carnavalesco Paulo Barros. Baseada na mitologia iorubá, a obra retrata a importância das crianças para um mundo melhor e tem como mensagem a preservação do meio ambiente.

Em seguida, a Estação Primeira de Mangueira terá a dupla de carnavalescos Guilherme Estevão e Annik Salmon pelo segundo ano consecutivo. Eles apostam em uma homenagem à cantora Alcione, ilustre mangueirense, com o enredo “A Negra Voz do Amanhã”.

Além da biografia da artista, o aspecto social e a representatividade preta e feminina que fazem parte de sua vida e carreira terão destaque.

A verde-e-rosa tem Evelyn Bastos como rainha de bateria, há mais de uma década no posto.
A Paraíso do Tuiuti, penúltima escola a se apresentar, vai abordar a história do marinheiro João Cândido (1880-1969), líder da Revolta da Chibata, em 1910, com o enredo “Glória ao Almirante Negro!”. De acordo com o carnavalesco Jack Vasconcelos, a ideia é reforçar o nome do homenageado como um grande herói do povo brasileiro.

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A revolta foi um motim organizado pelos soldados da Marinha brasileira que sofriam castigos com chibatadas. Candinho, o filho do herói, vai participar do desfile da Tuiuti.

Já amanhecendo e fechando os desfiles, a Viradouro tem o enredo “Arroboboi, Dangbé”, uma homenagem à cobra sagrada de Benin, que, de acordo com o mito, se manifestou em batalhas na costa ocidental da África, no século 18. A força da cobra é repres entada nas mulheres negras, conforme o enredo.

Assim como em 2023, segundo o carnavalesco Tarcísio Zanon, a escola pretende explorar a ilusão de ótica, mas não somente nas alegorias. A escola levará para a Sapucaí 6 alegorias, 2 tripés e o elemento alegórico da comissão de frente. Ao todo serão 23 alas.

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