A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) solicitou esclarecimentos após uma denúncia de possível contaminação por material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), no campus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista. Segundo a autoridade, a apuração segue o procedimento regular de verificação técnica, com pedido de registros e informações para avaliar a situação reportada.
Os relatos levaram o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) a cobrarem posicionamento oficial e providências das direções do Ipen e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). De acordo com as entidades, a ocorrência teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas usadas por trabalhadores envolvidos, inclusive terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica.
Em nota, o Sindsef-SP afirmou ainda que parte dos procedimentos de descontaminação teria ocorrido em locais não destinados especificamente a esse tipo de atendimento, o que, segundo a entidade, levanta dúvidas sobre a adequação da infraestrutura e o cumprimento dos protocolos de segurança. O sindicato pede a divulgação de informações oficiais sobre o material radioativo envolvido, o número de trabalhadores potencialmente atingidos, os níveis de contaminação detectados, os riscos à saúde e as medidas adotadas para contenção.
As entidades também relacionam o episódio a um quadro mais amplo de dificuldades no Ipen, mencionando cortes no orçamento, redução do quadro de pessoal e deficiências de gestão. O sindicato citou ainda problemas anteriores no Reator IEA-R1, como o incêndio da Sala de Controle, em março deste ano.
Os representantes dos trabalhadores afirmam que já vinham denunciando o desmonte e sucateamento do instituto, além de cobrar investimento em infraestrutura, concurso público, contratação de servidores e a definição de uma estratégia para o Programa Nuclear Brasileiro. O Sindsef-SP acrescentou que os servidores que trabalham com materiais ou substâncias radioativas estariam com exames médicos específicos atrasados em mais de um ano.
A Agência Brasil informou que solicitou posicionamento da CNEN e da USP, mas não obteve resposta até a conclusão da reportagem.