Menu
Política & Poder

Zema, Renan e Caiado usam estratégias distintas para explorar envolvimento de Flávio com Vorcaro

Redação Jornal de Brasília

20/05/2026 6h09

ratinho, caiado, zema e castro e tarcísio

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Pré-candidatos que tentam se viabilizar como uma alternativa à direita trabalham em estratégias diferentes para lidar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está sob pressão após a revelação de que pediu dinheiro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após o caso vir à tona, Flávio caiu mais de cinco pontos percentuais na pesquisa Atlas/Bloomberg.

Depois de criticar Flávio pelos áudios vazados, Romeu Zema (Novo) se tornou alvo do bolsonarismo e no domingo tinha pisado no freio ao afirmar que o assunto é “página virada” e que não houve ruptura. Seus aliados, no entanto, negam ter havido um recuo.

A promessa é que Zema faça críticas a cada novo fato grave que surgir sobre o caso. Um exemplo é o que ocorreu na terça-feira, 19. Flávio confirmou que visitou Vorcaro em sua casa em novembro do ano passado, após a primeira prisão do banqueiro.

O senador argumentou que a visita ocorreu para cortar relações com o banqueiro e avisar que se Vorcaro tivesse avisado que a “situação [do Master] era grave”, ele teria ido atrás de outro investidor para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Nesta terça-feira, em viagem a Santa Catarina, Estado onde a postura de Zema estremeceu a aliança entre PL e Novo, o ex-governador de Minas Gerais voltou à ofensiva e disse que as explicações não foram convincentes.

“É um fato lamentável o que nós estamos vendo mais uma vez, um fato muito grave. E não há uma explicação convincente. Ter credibilidade é fundamental para poder governar um Estado ou País. Espero que tudo isso seja muito bem esclarecido”, declarou ele a jornalistas.

Em outro momento, afirmou que mora em Belo Horizonte, mesma cidade de Vorcaro, e que nunca teve reuniões, foi procurado pelo ex-dono do Master ou sequer tem o número de telefone dele. “Me parece que assombração sabe para quem aparecer. E para mim não apareceu”, acrescentou Zema

Nos bastidores, o entorno de Zema compara a corrida eleitoral com o pleito de 2018. Naquele ano, o objetivo da candidatura do Novo ao governo de Minas Gerais era estabelecer a identidade do partido como uma sigla de direita liberal e uma alternativa ao status quo. As circunstâncias da campanha, contudo, apresentaram uma oportunidade para Zema e ele conseguiu se eleger.

Agora, afirmam os aliados do ex-governador, o objetivo mais imediato é tornar Zema uma liderança nacional – eles lembram que a ex-ministra Simone Tebet (PSB) conseguiu o feito ao ter 5% dos votos em 2022 –, ajudar o Partido Novo a superar a cláusula de barreira e consolidar a sigla como uma referência liberal para os eleitores independentes e a direita não bolsonarista.

A avaliação é que se não houver uma diferenciação em relação a Flávio, esse objetivo não será alcançado. O temor é que se o ex-governador ficar à sombra do candidato bolsonarista, o eleitorado independente e da direita não-bolsonarista será conquistado por Renan Santos (Missão), que disputa o mesmo público com Zema.

O pré-candidato da Missão ao Planalto não pretende diminuir o tom das críticas a Flávio Bolsonaro e deve seguir explorando a relação do senador com Vorcaro, segundo integrantes da campanha ouvidos pela reportagem. “Vou continuar dando porrada”, disse Renan Santos ao Estadão.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o pré-candidato do Missão sugeriu que Flávio seja levado para uma clínica.

“Ele não tem condições de ser “pré-candidato a absolutamente nada […] Nenhuma pessoa em sã consciência acredita que uma pessoa foi na casa da outra para avisar que não vai fazer mais negócios com ela”, afirmou.

Antes mesmo das revelações do site The Intercept Brasil, Renan já rejeitava o papel de linha auxiliar de Flávio e direcionava ataques ao bolsonarista em intensidade semelhante às críticas feitas ao presidente Lula (PT).

A estratégia do fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) é disputar o eleitorado de direita com o senador, tentando atrair votos não convictos que hoje estão com Flávio por não enxergar alternativas no campo conservador.

“O bolsonarismo é o traidor da causa que se aproveita disso para levar as moedas de prata. O judas e o capeta precisam ser detonados”, disse Renan, que afirmou mais de uma vez querer “prender” o senador. “Diferente do Zema, que quer ser vice do Flávio, eu vou atacar o Flávio todas as vezes que for necessário”, declarou ele.

Zema de fato foi cotado como vice de Flávio, mas a avaliação de ambos lados é que as críticas feitas ao senador na última semana enterraram essa possibilidade.

Entre os pré-candidatos da direita, Renan foi o que mais explorou as ligações de Flávio com Vorcaro. Aliados afirmam que o fundador do MBL pretende continuar usando o tema nas redes sociais. Em um dos vídeos publicados, que soma 1,2 milhão de visualizações, Renan usa o caso do Banco Master para defender que, para derrotar o PT, a direita não pode se associar à corrupção. No vídeo, ele também resgata outras acusações envolvendo o senador, como o caso das rachadinhas e a ligação com milicianos.

Coordenadora da pré-campanha de Santos, a vereadora de São Paulo, Amanda Vetorazzo (União Brasil-SP) afirmou que a ideia é não amenizar o caso. “A gente fala do Banco Master desde o dia zero, quando a gente descobriu esses escândalos. E agora, mais que nunca, a população precisa saber”, declarou.

O mais contido até o momento foi Ronaldo Caiado (PSD), cuja postura inclusive foi elogiada pelo próprio Flávio. O ex-governador goiano disse que o senador devia explicações sobre o caso, mas não fez um julgamento do conteúdo do áudio.

O tom da manifestação foi decidido pelo próprio Caiado e é descrito por aliados como uma postura ética, já que até o momento não há uma acusação ou denúncia contra o pré-candidato do PL.

A previsão é que a postura de Caiado mude somente se novos fatos surgirem e levarem à abertura de uma investigação contra o senador. Na terça-feira, o ex-governador de Goiás disse que quem tem problemas que “preste contas” à sociedade, mas não quis emitir uma opinião direta sobre o caso de Flávio com Vorcaro.

“Não cabe a cada pré-candidato ficar fazendo juízo de valor das pessoas”, declarou ele em coletiva de imprensa após um evento da Associação Paulista de Supermercados (Apas) em São Paulo (SP).

As estratégias repercutem nas intenções de voto. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira mostra que Zema seria o maior beneficiado pela saída de Flávio da disputa. O ex-governador de Minas salta de 5,2% no cenário com o senador para 17% se o filho do ex-presidente não for candidato. Se Flávio for substituído por Michelle Bolsonaro (PL), Zema vai a 10%, atrás da ex-primeira-dama, que tem 23,4%.

Caiado e Renan crescem menos. O goiano sai de 2,7% para 13,8% e 6%, respectivamente. Já o fundador do MBL vai de 6,9% no cenário com Flávio para 8% sem a candidatura do senador e 7,8% com Michelle.

Estadão Conteúdo

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado