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Política & Poder

Vorcaro ordenou pagamento de R$ 350 mil em dinheiro vivo a Ciro Nogueira, aponta PF

A ordem foi dada por Vorcaro ao seu cunhado, Fabiano Zettel, operador do escândalo financeiro e ex-pastor evangélico da Igreja Lagoinha

Redação Jornal de Brasília

16/06/2026 16h22

vorcaro e ciro nogueira

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira. Foto: Reprodução

JOÃO GABRIEL, JOSÉ MARQUES, LUÍSA MARTINS, CONSTANÇA REZENDE, MATEUS VARGAS, NATHALIA GARCIA E RAPHAEL DI CUNTO
FOLHAPRESS


A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens que indicam que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ordenou pagamento R$ 350 mil em dinheiro vivo para o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A ordem foi dada por Vorcaro ao seu cunhado, Fabiano Zettel, operador do escândalo financeiro e ex-pastor evangélico da Igreja Lagoinha.

A Folha procurou Ciro Nogueira, que é presidente do PP, por meio de sua assessoria de imprensa na tarde desta terça-feira (16), mas o senador não se posicionou até a publicação deste texto.

A PF já identificou outros indícios de relação próxima entre Ciro e Vorcaro. Por exemplo, o pagamento de diárias em hotéis de luxo em Nova York e na Europa e viagens juntos. Além disso, o banqueiro se referia ao parlamentar como amigo.

A conversa sobre o dinheiro em espécie aconteceu em agosto de 2025, quando o ex-banqueiro pede a Zettel: “Resolve ciro e galerias hoje”.

O operador reclama que não recebeu uma transferência referente a uma série de pagamentos, e os detalha em uma lista de quatro itens. Dentre eles, há duas menções a “galeria” e outras duas ao nome do senador, uma sobre “impostos” e outra que diz “Espécie Ciro 350k”.

Segundo a PF, esse último item indica um pagamento a um “indivíduo identificado pelo nome ‘Ciro’ […] a ser realizado em espécie”.

Inicialmente, a polícia vinculou a troca de mensagem ao transporte de dinheiro vivo por meio de uma aeronave que, segundo uma reportagem do portal ICL, teria como destinatário Ciro Nogueira.

Depois, porém, a investigação da PF afastou a “correlação temporal direta anteriormente sugerida” entre o voo e a troca de mensagens, já que a viagem aérea aconteceu em 2024, um ano antes da conversa.

Mesmo sem a relação entre os fatos, a PF reafirma que o voo aconteceu e reforça o teor das conversas obtidas, inclusive envolvendo dinheiro em espécie.

Sobre o voo, a Polícia Federal cita ainda o relato do seu piloto, que em entrevista ao portal ICL diz que o empresário Beto Louco -ligado ao escândalo de fraude de combustíveis- foi um de seus passageiros, mencionou diversas vezes Ciro Nogueira e, após o desembarque, quis saber se o senador estava aguardando a chegada da aeronave.

A polícia aponta que não há comprovação de que a remessa de dinheiro vivo tenha sido entregue a Ciro.

Procurada, a defesa de Beto Louco disse que “nega a existência desses fatos e repudia qualquer tentativa de vinculação dele com Daniel Vorcaro e registra que ele nunca sequer deu ‘um bom dia’ ao ex-banqueiro ou a pessoas ligadas a ele”.

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