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Política & Poder

Vice na chapa de Eduardo Paes e aliado são alvos de investigação da PF

Mandados de busca e apreensão integram nova fase da Operação Anáfara, que apura supostas fraudes em licitações e ocultação de patrimônio; ex-deputado nega irregularidades

Redação Jornal de Brasília

30/06/2026 12h57

Foto: Mauro Pimentel / AFP

Foto: Mauro Pimentel / AFP

ITALO NOGUEIRA
FOLHAPRESS

A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (30) busca e apreensão em investigação contra o ex-deputado Washington Reis (MDB) e sua irmã, Jane Reis (MDB), pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio de Janeiro.

A ação é a segunda fase da Operação Anáfara, deflagrada em setembro de 2022, quando Washington Reis era candidato a vice-governador na chapa de Cláudio Castro (PL). Ele abriu mão da vaga posteriormente, em razão de impedimentos legais para concorrer.

À Folha de S. Paulo, Washington Reis disse que já apresentou documentos à PF para demonstrar a ausência de ilegalidade nos atos investigados. “Levamos notas, esclarecemos tudo. É um negócio irrelevante de valor.”

Jane Reis é advogada e foi indicada por Washington para compor a chapa de Paes. A família, aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), controla a política de Duque de Caxias, segundo colégio eleitoral do estado, e é vista como um ativo para auxiliar a campanha do ex-prefeito na Baixada Fluminense.

De acordo com a PF, “foi apurado que investigados mantêm bens próprios em nome de terceiros, realizam despesas incompatíveis com sua condição financeira e participam de negociações vinculadas a imóveis”. O inquérito apura os crimes de organização criminosa, fraude a licitação e lavagem de dinheiro.

Foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão, sendo 10 pela 6ª Vara Federal Criminal e quatro pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), em razão da investigação fazer referência ao período em que Washington Reis foi secretário estadual.

Os alvos estão divididos em dois núcleos. Um deles é a Laticínio Vale Carioca, apontada na investigação como uma das empresas usadas na lavagem de dinheiro do ex-deputado.

O ex-deputado nega ter qualquer vínculo com a empresa.

“O presidente do PMDB-RJ, Washington Reis, esclarece que não foi alvo da segunda etapa da Operação Anáfora, da Polícia Federal, e que as empresas citadas e alvos da operação executada hoje não são de sua propriedade, assim como não tem participação em nenhuma delas”, diz o ex-deputado, em nota.

O outro núcleo é composto por nomes ligados ao empresário Mario Peixoto. Em nota, o advogado Alexandre Lopes, que representa o empresário, afirmou que “a operação é inexplicável do ponto de vista jurídico”.

“Fatos ocorridos em 2020 não podem originar decisões de medidas cautelares em 2026. Mesmo sem ter lido a decisão judicial, somente por isso, posso afirmar ser ela absolutamente ilegal”, afirmou Lopes.
Jane Reis não foi alvo de busca e apreensão. Contudo, a PF investiga sua atuação como braço operacional da WR Participações, empresa da família que possui centenas de imóveis no estado. A suspeita é de que a firma seja usada na lavagem de dinheiro.

Washington Reis afirmou que a WR Participações tem mais de 18 anos de existência e nunca praticou qualquer ilegalidade.

“Nunca fizemos qualquer transação em dinheiro vivo”, disse ele.

Em 2022, a Folha de S. Paulo revelou operações imobiliárias da WR Participações consideradas suspeitas de lavagem de dinheiro, de acordo com critérios do Coaf.

Em setembro de 2013, a empresa do ex-deputado adquiriu por R$ 120 mil um terreno em Duque de Caxias. Sete meses depois, a firma o revendeu por R$ 1,3 milhão, garantindo lucro de 983%.

Além da valorização repentina, chama a atenção o fato de o mesmo imóvel ter sido avaliado em R$ 994 mil pelo governo do estado em 2011 num processo de desapropriação, posteriormente arquivado. O valor é oito vezes o valor pago pela WR, dois anos depois.

Na ocasião, o ex-deputado afirmou ser possível obter lucro em transações imobiliárias.

“Quem conhece o mercado imobiliário sabe que este tipo de transação é possível, e, para que isto aconteça, é necessário conhecer bem a região, os preços dos imóveis e ter grande capacidade de negociação, requisitos que todos que me conhecem sabem que tenho, pois nunca compro nada que esteja acima do preço de mercado e sempre soube enxergar as oportunidades existentes”, disse à época o ex-deputado.

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