Camila Costa
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O colégio de líderes da Câmara Legislativa definiu a pauta das próximas semanas e a prioridade será a eleição das comissões permanentes. Os parlamentares precisarão formalizar até o próximo dia 15 os blocos partidários, como pressuposto para definir a proporcionalidade de vagas, o que se fará em atos no Diário da Câmara.
A disputa acirrada pela Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) deu largada à onda de troca-troca dentro dos blocos para acomodação dos distritais. Quanto maior o bloco, mais força terá na escolha da comissão que pretende.
No blocão de PMDB, PTC, PPL e PTdoB, dois deputados estão na briga pela Ceof: Olair Francisco (PTdoB) e Rôney Nemer (PMDB). Para resolver o impasse, Olair e Agaciel Maia (PTC) já articulariam a troca de bloco partidário. Segundo Rôney, ainda não há sinalização neste sentido, mas as definições oficiais só serão feitas na segunda-feira, após o Carnaval. “Até agora mantém-se as coisas como estão. A princípio, até a liderança está mantida”, explicou Rôney, atual líder do blocão. Já para Olair Francisco, tudo será resolvido sem brigas. “Não precisaremos desfazer um bloco para isso”, ponderou.
Desconfiança
Outra possível mudança está dentro do bloco do PEN. Doutor Michel (PEN) quer a Ceof e Cláudio Abrantes (sem partido), também. Apesar de Cláudio ter articulado apoio do bloco antes mesmo do recesso, na hora H pode prevalecer a desconfiança de que ele tomará novo rumo, aderindo a outro bloco. O atual líder do PEN, Israel Batista, afirmou que Cláudio traz incerteza ao grupo. A liderança passará agora para o distrital Joe Valle (PSB).
O líder do bloco do PT-PRB, Chico Vigilante (PT), avisou que o bloco já está fechado. Fica como está e os nomes para as comissões serão encaminhados para formalização ainda hoje. “Aqui estão mantido os seis nomes, mas ainda é possível o surgimento de outros blocos”, alertou o petista. Cristiano Araújo (PTB) acredita que seu bloco permanece como está, pelo menos por enquanto, assim como fará o PSD.
Escolhido o corregedor
O presidente da Câmara Legislativa, Wasny de Roure (PT), indicou o deputado Wellington Luiz (PPL) para o cargo de corregedor ad hoc – interino – que cuidará do caso do distrital Raad Massouh (PPL), acusado de suposto desvio de recurso de emendas parlamentares após investigação do Ministério Público e da Polícia Civil.
A indicação foi feita na tarde de ontem, durante reunião do colégio de líderes. Segundo Wasny, um novo corregedor, definitivo, será eleito nas próximas semanas, junto com os presidentes as comissões permanentes. A estratégia do presidente é evitar o que chama de lei da contaminação.
“Não queremos que o corregedor definitivo assuma com uma pauta pré-agendada”, explicou Wasny de Roure.
Após a decisão, deputados questionaram o nome indicado pelo presidente. Se aceitar, Wellington Luiz investigará um parlamentar do mesmo partido. “Esta é uma coisa séria, tomaram esta decisão, mas a responsabilidade vai cair no colo de todo mundo, e seremos crucificados”, criticou um deputado.
Operação Mangona
Na investigação, o primeiro local inspecionado foi a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, então comandada por Raad, e o seu gabinete. Raad destinou cerca de R$ 100 mil para uma festa em Sobradinho, a pretexto de incentivar o turismo rural.
O evento foi contratado sem licitação, e denúncias tratam de superfaturamento e prestações de contas falsas. Na época, o administrador de Sobradinho era Carlos Augusto de Barros, indicado por Raad.
O deputado alega que nada tem a ver com a aplicação do dinheiro. Fez seu papel ao apresentar a emenda e ao liberar a verba, mas não pode ser responsabilizado pelo ato do administrador.