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Política & Poder

Uma liderança condenada a explicar dólares na cueca

Arquivo Geral

24/12/2012 9h12

Rudolfo Lago

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

O “escândalo da cueca” adiou por um ano a escolha do deputado José Guimarães (CE) como líder do PT na Câmara. No início de 2012, Guimarães era candidato ao cargo, mas o PT, na ocasião, estabeleceu um acordo pelo qual seria líder primeiro o deputado paulista Jilmar Tatto. A ideia era evitar que Guimarães assumisse o cargo em ano eleitoral, o que poderia ser explorado pelos partidos de oposição na campanha. Assim, Tato tornou-se líder em 2012 e passa o bastão para Guimarães num ano em que não haverá mais eleições, mas uma maior intensidade de trabalhos legislativos.

 

A preocupação do PT deve-se à forma como José Guimarães tornou-se nacionalmente conhecido, quando era apenas deputado estadual no Ceará. Em 2005, pouco após estourar o escândalo do mensalão, um assessor de Guimarães foi preso no Aeroporto de Congonhas em São Paulo. Ele levava R$ 200 mil numa maleta. O constrangimento foi maior quando foi revistado: tinha também US$ 100 mil escondidos debaixo da cueca. A Assembleia Legislativa do Ceará  instaurou à época  investigação que determinou perda do mandato de Guimarães. Mas, levado ao plenário, ele escapou da cassação. 

 

Por conta do episódio, e para evitar uma disputa, estabeleceu-se no início do ano um acordo entre Jilmar Tatto e Guimarães. Na ocasião, Guimarães era apoiado pelo deputado Cândido Vaccarezza, enquanto Tatto tinha a chancela do presidente do PT, Rui Falcão, e do presidente da Câmara, Marco Maia. Tatto, assim, tinha maior apoio da cúpula, mas se a decisão fosse por voto, era Guimarães quem tinha a maioria da bancada. Para evitar uma disputa que poderia deixar sequelas, estabeleceu-se o acordo. Tatto tornou-se líder primeiro, e Guimarães esperou para ser líder a partir de 2013. Além da  preservação eleitoral do “escândalo da cueca” também prevaleceu  o estilo pessoal dos dois deputados.

 

Agressividade pesa

Jilmar Tatto é considerado um dos mais agressivos integrantes da bancada do PT. Ele e seus irmãos dominam uma região da periferia de São Paulo chamada de Capela do Socorro. O domínio político dos irmãos sobre o local fez com que a região ganhasse o apelido de “Tattolândia”. 

 

Por isso, ao fazer o acordo, o PT imaginou que seria melhor ter alguém com o perfil de Tatto na liderança da Câmara, para responder de forma mais dura aos ataques que o partido pudesse sofrer em ano eleitoral. E foi o que Tatto efetivamente fez. 

 

Depois, por exemplo, que se tornaram públicas as denúncias feitas pelo empresário Marcos Valério, o arquiteto do mensalão, condenado a 40 anos de prisão, contra Luiz Inácio Lula da Silva, Tatto conseguiu aprovar, na Comissão Mista de Atividades de Inteligência, um requerimento de convocação de Fernando Henrique Cardoso.

 

Saiba mais

José Guimarães tem, além do episódio da cueca, perfil mais reservado que o antecessor. É irmão do deputado José Genoino, mas os dois têm pouca semelhança. Genoino é  alto e elegante. Guimarães é baixo e  atarracado. Os petistas reconhecem nele  a capacidade de articulação, em especial no baixo clero.

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