
O primeiro desafio da Rede Sustentabilidade, o partido que a senadora Marina Silva tenta criar, será conseguir o registro no Tribunal Superior Eleitoral a tempo de disputar as próximas eleições. A coleta das assinaturas indispensáveis está bem encaminhada, segundo os organizadores, já que foram coletadas 820 mil até agora.
No entanto, o partido de Marina depende da certificação das assinaturas até 5 de outubro, prazo máximo para que possa disputar as eleições do ano que vem. Até o momento, só 140 mil assinaturas foram certificadas pelos cartórios da Justiça Eleitoral.
Pedidos no DF e mais dez
Foi oficializado o pedido de criação de diretórios nos tribunais regionais eleitorais de Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Sergipe, Santa Catarina e Piauí. Nesses locais, o número mínimo de assinaturas foi atingido. A expectativa é entrar com a solicitação em outros cinco estados, Acre, Alagoas, Rondônia, Tocantins e Amapá.
Para conseguir participar das eleições do ano que vem, o futuro partido precisa de 491.656 apoios certificados, espalhados por nove unidades da Federação.
A Rede tem feito seguidas críticas à demora na certificação das assinaturas, apesar de se dizer solidária “às necessidades de maior aparelhamento da Justiça Eleitoral”. A futura legenda atribui as dificuldades no processo à falta de profissionais e de estrutura dos cartórios.
Os problemas enfrentados nos cartórios também dizem respeito a exigências que, segundo integrantes da Rede, não estão previstas em lei, como entrega de formulários em ordem alfabética ou separado por zona eleitoral.
Cumprir o papel
Segundo André Lima, porta-voz da Rede Sustentabilidade no DF e membro da direção executiva nacional, é possível cumprir o prazo, desde que a Justiça Eleitoral faça seu papel. “Estamos conversando com os chefes de cartório sobre possíveis distorções no processo. Mas o processo de recadastramento biométrico também tem atrapalhado um pouco a certificação das assinaturas, causando uma sobrecarga nos cartórios”, disse.
A prioridade agora é a fundação do partido, o que exclui da pauta as possíveis candidaturas para as eleições de 2014, embora Marina Silva seja nome certo para o próximo ano. “A Rede não está tratando disso, ainda que, eventualmente, um ou outro comente o assunto”, disse.
Dirigente suspeito de vandalismo
Surgiu um problema adicional para os organizadores da Rede no Distrito Federal. Tem nome e endereço: Pedro Piccolo Cortesini, estudante universitário listado no site da Rede Sustentabilidade como um dos coordenadores-executivos. Ele é também um dos suspeitos de depredar o Palácio do Itamaraty, durante os protestos do dia 20 de junho, segundo a investigação.
Piccolo foi identificado em imagens recebidas pela Polícia Civil. “Ele aparece primeiro com um megafone, discursando para a multidão, com a camisa do partido e depois, com o rosto coberto, quebrando vidros do palácio”, disse o diretor-geral da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier.
Na internet, negativas
Na página de Pedro Piccolo em uma rede social, ele divulgou um texto negando que teria participado da depredação. O militante admite erro político, mas afirma, repetidas vezes, que não teve culpa nos danos ao prédio. “Hoje vejo com clareza os excessos que cometi e o risco a que submeti a Rede, de ser caluniada ou passar a ser objeto de insinuações de ter algo a ver com os quebra-quebras durante as manifestações. Seria algo impensável, pois a linha política da Rede vai em outra direção, sem nenhuma afinidade com soluções violentas, venham de que lado vierem. Estou arrependido, errei politicamente, mas em nenhum momento cometi crime”.
A Rede divulgou nota, ontem, afirmando que as participações de militantes nas manifestações são “de caráter individual”.