O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, indeferiu o habeas corpus requerido pelos advogados de Deborah e Jorge Guerner. Para o ministro, as circunstâncias dos autos não recomendam, por ora, a concessão da liminar. O motivo é que no habeas corpus não há as informações necessárias para a análise da ilegalidade da prisão.
A promotora de justiça e o marido estão presos desde a última quarta-feira (20), na Superintendência da Polícia Federal. Com a decisão, ambos continuam detidos por tempo indeterminado. O Ministério Público os acusa de forjar provas para simular uma incapacidade mental que os tornaria incapazes de responder a processos.
Guerner é o braço do Ministério Público do DF no suposto esquema de corrupção local, desmantelado em novembro de 2009 na Operação Caixa de Pandora. Ela e o colega Leonardo Bandarra, ex-procurador-geral (cargo que chefia os promotores locais), são acusados de cobrar propina do ex-governador José Roberto Arruda para garantir a proteção do Ministério Público ao seu governo. Arruda, aliás, chegou a passar dois meses preso em 2010. Deborah ainda teria agido, como promotora, para ajudar o marido nos negócios de coleta de lixo no governo do Distrito Federal.
A prisão vinha sendo planejada pelos investigadores desde que descobriram, no ano passado, gravações que foram plastificadas e enterradas num jardim da casa da promotora, em que Deborah e médicos combinam a elaboração de documentos falsos para ela alegar problemas mentais e atrapalhar os processos. As fitas são de imagens do circuito interno de segurança da casa da promotora, enterradas para evitar a descoberta de encontros com pessoas ligadas ao esquema. O estopim do pedido de prisão foi a viagem que ela e o marido fizeram à Itália no começo deste mês. O Ministério Público Federal, sob a coordenação do procurador Ronaldo Albo, monitorou os passos do casal e confirmou que eles não pediram autorização à Justiça nem informaram nada sobre a viagem ao exterior.