Francisco Dutra
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O projeto para a instalação da rede wi-fi pública, a reabertura do planetário e a polêmica do contrato do GDF com a empresa Jurong Consultants estão entre as principais pautas da Secretaria de Ciência e Tecnologia. O secretário Glauco Rojas gasta a maior parte de seus dias nos estudos para a disponibilização de internet gratuita pelo DF com um ponto de partida definido: a Rodoviária de Brasília.
Para meados do próximo ano, o político de 34 anos espera encerrar a novela da reabertura do planetário e assegurar a volta das visitações. Sobre o contrato com a Jurong, alvo de críticas ferrenhas de políticos expressivos no DF, Glauco não vê qualquer erro na postura do Palácio do Buriti.
O secretário também foca esforços no mapeamento do histórico nebuloso da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP). “Não vamos ter iniciativas isoladas. Tudo faz parte de uma decisão de governo de fazer Brasília se transformar em uma capital 2.0. E nós temos todas as características para isso. Brasília tem o maior número de doutores e mestres do Brasil. Brasília foi criada da ideia humana, do sonho humano, da criatividade. Temos que ser uma referência da economia da criação, da inteligência”, comentou. Veja entrevista:
Qual a perspectiva que o senhor tem para a pasta?
Eu chego na pasta com a determinação do governador de que a economia criativa, a indústria do conhecimento, vai ser a próxima matriz econômica da cidade. Então, a pasta passa a ter uma importância estratégica para os próximos 50 anos da cidade.
Nesse sentido, qual é a prioridade?
Pode esperar até 2014 a solução definitiva para a questão do wi-fi. É um compromisso de campanha e uma determinação do governador. Quando me convidou para ser secretário, ele foi taxativo na orientação para resolver o acesso à internet como um direito fundamental do cidadão.
Esse projeto foi anunciado há algum tempo. Por que ainda não decolou?
Não é uma coisa simples. É complexo para você implantar wi-fi em uma cidade. E as iniciativas ainda tiveram um caráter experimental. A minha tarefa é conseguir transformar esses pilotos em algo perene, efetivo, que funcione.
E onde será o ponto de partida? E quando começará de fato?
O que encomendei para a minha equipe é que nós comecemos pela Rodoviária do Plano Piloto. A partir daí, vamos mapear a cidade e veremos de que maneira nós vamos espalhar o acesso. Não quero dar datas, mas garanto que estou obcecado por isso. Se tem uma coisa que hoje toma 80% do meu tempo é essa pauta.
E quanto ao planetário?
É compromisso meu, desse governo, reativar o planetário. Já mandei comprar mobiliário e já “estartei” todos os processos pendentes de avanço e dei sequência para que a gente consiga reabri-lo. Até meio do ano que vem, é possível que ele seja reaberto.
O que se fará na Cidade Digital?
Esse modelo é que chamamos de modelo 3.0 de parque de desenvolvimento. Ele é espelhado no que existe de mais avançado no mundo. Além da infraestrutura de última geração, ele tem um conceito, que é das pessoas morarem, trabalharem e se divertirem no mesmo lugar. O governador, ao implantar esse projeto, foi ao mundo onde existem parques tecnológicos dessa natureza. Por meio de um contrato em que o consórcio ou empresa que ganhar, vai ter a obrigação de gerir aquele parque de acordo com uma série de especificações do governo, resguardadas em contrato. Com isso, teremos a garantia que aquele espaço seja para o desenvolvimento nas áreas das tecnologias da informação e comunicação.
Existem novas empresas interessadas no projeto?
Participamos de um dos maiores congressos de negócios e investimento do mundo, que foi o Congresso da Ásia e da América Latina. Lá estavam investidores, do mundo inteiro. No momento em que o governador anunciou a parceria com a Jurong Consultants, uma empresa referência em planejamento e desenvolvimento urbano, Brasília passou a ser a vedete do congresso e vários investidores passaram a prestar atenção na cidade.
Essa parceria foi alvo de severas críticas por parte de políticos. O que o senhor diz a respeito?
É natural que exista polêmica. Brasília tem uma cultura do atraso, da falta de planejamento, da especulação imobiliária, do inchaço urbano. No momento em que você vem para construir e unificar o conhecimento que existe na cidade, com conhecimento de um grupo de gestores que têm experiência mundial, você rompe com um paradigma. E todo paradigma rompido gera desconforto. Então, vejo com naturalidade. Minas Gerais, por exemplo, contratou a Jurong para pensar o aeroporto. Em pouco tempo de gestão da Jurong no aeroporto, pelo peso da marca, pela credibilidade internacional, ela conseguiu atrair investimentos externos muito maiores que o governo teve para contratá-los. Essa é uma expectativa nossa também.
Em relação à FAP, o que está sendo feito?
Estamos mapeando tudo o que existe. E esse mapeamento será entregue nas mãos de Carlos Higino, secretário de Transparência. Já identifiquei uma dissociação entre o recurso utilizado e a finalidade da fundação. Existe uma lacuna na área de investimentos na área de pesquisa. Para isso a FAP foi instituída. Ela teve uma perda institucional grande, porque tinha orçamento de 2% da receita líquida do DF e passou a ter 0,5%.
O senhor deixou o PDT quando o partido passou para a oposição no DF. Possui perspectiva de filiação em outra legenda?
Eu não tenho aspiração partidária. O partido da minha vida é o PDT. Minha história era o PDT. Por uma conjuntura política, o partido formalizou uma decisão e seria incoerente eu permanecer no governo e no partido. Assim, para que o partido ficasse à vontade, eu me desfiliei. Mas eu não tenho intenção em ingressar em outro partido.
O senhor fica incomodado com o PDT na oposição?
Incomoda. Porque eu acho que o PDT foi parte desse governo e ajudou a construí-lo. Respeito a decisão partidária, mas o melhor dos mundos seria o PDT compondo a base.