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Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles pede demissão do cargo

Salles é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro estava sob pressão e alegou motivos familiares para deixar o cargo

Por Geovanna Bispo 23/06/2021 5h19
Foto: Marcos Corrêa/PR

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, informou, nesta quarta-feira (23), a saída do cargo, que ocupava desde de janeiro de 2019. A exoneração deve ser publicada ainda nesta tarde no Diário Oficial da União. Segundo ele, em seu lugar ficará o secretário da Amazônia e Serviços Ambientais, Joaquim Álvaro Pereira Leite. “Entendo que o Brasil, ao longo deste ano e no ano que vem, na inserção internacional e também na agenda nacional, precisa ter uma união muito forte de interesses e de anseios e de esforços. E para que isso se faça da maneira mais serena possível, eu apresentei ao senhor presidente o meu pedido de exoneração, que foi atendido”, disse o ministro.

Desde o início, o advogado teve uma gestão marcada por tensões políticas. Atualmente, Salles é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto esquema de desvio de madeira ilegal. O ministro estava sob pressão e alegou motivos familiares para deixar o cargo.

Joaquim Álvaro Pereira Leite

O substituto de Salles, Joaquim Álvaro Pereira Leite, já fazia parte do ministério desde julho 2019, quando fazia parte do Departamento Florestal, porém desde de setembro do ano passado ele era secretário da Amazônia e Serviços Ambientais.

Antes de ingressar no ministério, Leite foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das representantes do setor agropecuário no país e apoiadoras da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mais conhecida como bancada ruralista, composta por mais de 200 deputados e senadores.

O currículo do novo ministro menciona formação em Administração de Empresas, pela Universidade de Marília (Unimar), no interior paulista, e pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), também em São Paulo.

“Passar boiada”

Em reunião ministerial em 22 de abril de 2020, Salles sugeriu a Bolsonaro que o governo aproveitasse a atenção da mídia na pandemia para “ir passando a boiada”, ou seja, mudar algumas leis ambientais de proteção e ligadas à área de agricultura para evitar questionamentos e processos na Justiça.

Após o pedido de exoneração, o ex-chefe da Polícia Federa na Amazônia, o delegado Alexandre Saraiva comemorou a saída. “Eu avisei que não ia passar boiada”, disse Saraiva em publicação no Twitter. Pouco antes, ele escreveu outra mensagem em alusão à saída de Salles: “E eu continuo delegado de Policia Federal!”.

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Enquanto chefe, Saraiva encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma notícia-crime para que Salles fosse investigado por supostamente atrapalhar medidas de fiscalização de madeira. No documento, o delegado usa como base a maior apreensão da história do Brasil, que ocorreu ano passado. No texto, o policial cita dois crimes: advocacia administrativa e impedir ou embaraçar investigação de infração penal que envolva organização criminosa.






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